sábado, 18 de julho de 2020

A demanda reprimida


Nesta semana o jornalista Luis Ernesto Lacombe estreou seu canal no YouTube. O bate-papo com o renomado jornalista Alexandre Garcia e o comentarista político Caio Coppola foi uma verdadeira aula de jornalismo, com pontos importantes sendo debatidos, como os inquéritos do STF, a CPMI das Fake News, os rumos do jornalismo, entre outros. A live contou com mais de 100 mil expectadores somente durante a exibição da live e já ultrapassou 1 milhão de visualizações.

Esse fato nos remete a uma realidade estranha. Como se sabe, a maioria da população brasileira é conservadora nos costumes. Mas não há TV's, rádios, jornais, universidades ou partidos políticos com conteúdo conservador, embora você encontre esporadicamente um ou outro jornalista cuja opinião fuja do senso comum da mídia, mesmo que a quantidade destes possa ser contada nos dedos de uma mão. O Brasil é a única democracia do mundo onde o povo não tem voz nem representação.

Isso ajuda a explicar a grande audiência que Lacombe, Alexandre Garcia, e outros grandes jornalistas que usam a internet para divulgar seu trabalho, como Guilherme Fiúza e Leda Nagle. A ausência de jornalistas desse tipo na velha imprensa faz com que a audiência da internet, onde estes se encontram em maior quantidade, seja cada vez maior. O Terça Livre, de Allan dos Santos, maior canal de mídia conservador do hemisfério sul, supera diuturnamente a audiência de canais da velha imprensa, como CNN, Record e até da Jovem Pan, onde há um número mais equilibrado de jornalistas de esquerda e direita. 

É uma questão de demanda reprimida: se a velha imprensa não dá aos seus espectadores o que eles desejam, eles buscam na internet. Mesmo com certas restrições, a internet e as redes sociais ainda são o espaço mais livre e democrático que existe para o exercício do jornalismo. E a internet tem tido cada vez mais audiência, e credibilidade, do que a velha imprensa. Para efeito de comparação, o canal do Terça Livre no YouTube possui mais de 1 milhão de inscritos, enquanto a CNN, por exemplo tem 872 mil. Talvez por isso haja tanta gente a favor da "regulação" das mídias digitais nos mesmos moldes da regulação da mídia que Lula tanto dizia e que constava no programa de Fernando Haddad durante a campanha eleitoral, pois com a internet, a informação, que seguia uma via de mão única, agora vai e volta, tirando o monopólio dos velhos meios de comunicação.

Nós sabemos a causa da total supressão da opinião conservadora dentro da grande imprensa. Ela se deve a ocupação das instituições culturais pela esquerda comunista que segue os ensinamentos de Antônio Gramsci e Stalin. Mas não há como mudar isso de dentro para fora. O próprio Lacombe foi demitido da Band porque era a única voz dissonante na emissora. Recentemente, uma editora do New York Times, Bari Weiss, pediu demissão do jornal alegando que o mesmo censurava opiniões conservadoras e centristas. Logo após isso, o jornal voltou a aparecer entre os assuntos mais comentados da internet por causa de uma entrevista com o youtuber brasileiro Felipe Neto (para bom entendedor...). Embora a imprensa alternativa que exista hoje já tenha um bom número de expectadores e uma credibilidade até maior do que a velha imprensa, ainda falta ocupar outros espaços onde a esquerda atua. É de se estranhar, sabendo que há uma demanda alta por um jornalismo que se contraponha ao atual, não haja ninguém disposto a investir nisso. Seria medo de patrulha? Se houvessem, por exemplo, empresários dispostos a patrocinar essa imprensa alternativa, criando por exemplo, novos canais de TV ou rádio, ou universidades, isso já proporcionaria uma boa competição, que poderia até ajudar no trabalho de recuperação da cultura que precisa ser feito no Brasil, mas, por outro lado, poderia acabar com a independência desses meios de comunicação. O fato é que há uma demanda muito grande por jornalistas de cunho conservador, ou pelo menos, "de direita" que não vem sendo suprida pela velha imprensa. A internet cumpre essa função, mas há regiões onde ela ainda não tem alcance. Se houvessem empresas fomentando isso, a coisa melhoraria.

Cada um assiste o que quer, é claro. Mas a velha imprensa precisa perceber que, enquanto continuar divulgando ideias que vão de encontro às da população brasileira e continuar menosprezando e perseguindo as mídias alternativas, perderá cada vez mais seu espaço. Jornalismo se faz com fatos, não com narrativas.


segunda-feira, 27 de abril de 2020

A novilíngua jornalística

George Orwell, no livro 1984, descreve uma sociedade totalmente denominada por um partido político totalitário, cujo líder, conhecido como "Grande Irmão" é quem determina o que acontece na vida da população, com quem a pessoa pode se casar, o que ela pode comer, e até no que ela deve acreditar e pensar. Isso é feito por meio do controle da linguagem, através do que o autor chamou de "novilíngua", que é um vocabulário de palavras criadas pelo próprio partido, com significado definido pelo mesmo, por mais que a palavra, na realidade, signifique outra coisa, e que vai ficando mais restrito com o passar do tempo.

Na mídia brasileira, assim como na política, é possível perceber exemplos claros do uso desse artifício. O uso do termo "fake news", por exemplo. Acredita-se, quase que em consenso, que o termo seja usado para definir uma notícia falsa. No jargão jornalístico, quando isso acontece, dizemos que determinado jornalista ou veículo deu uma "barrigada". Na realidade, o termo, popularizado pelo atual presidente dos Estados Unidos, se refere a uma informação que não é verdadeira, mas que foi criada com o intuito de enganar o público. É um efeito dominó, a divulgação de uma fake news leva a criação de uma narrativa, por meio do apelo emocional, o que é a definição de outro termo bastante popular na atualidade: "pós-verdade".

Vários termos sociopolíticos também são usados dessa forma. Na vida real, um adepto de um partido como o da história de Orwell seria um fascista de acordo com a definição de fascismo dada pelo próprio Benito Mussolini, "tudo no estado e nada fora dele". Mas o conceito popularizado pelo governo do PT foi o de que fascista é aquele que não gosta do estado, o que na realidade seria um liberal (apesar de que os "liberais" brasileiros, com algumas exceções, não estão muito distantes do fascismo). Assim como muita gente ainda acredita que o conceito de comunismo ainda é o marxista, sem levar em conta as diversas mudanças pelas quais o pensamento comunista passou com o tempo, por meio dos estudos críticos da Escola de Frankfurt. Mas o caso mais grave talvez seja o da palavra "democracia". Ao pé da letra, o termo significa "poder do povo", mas para essa gente, anti-democrático é toda e qualquer decisão política que fuja ao poder do establishment. Ou seja, a palavra significa o seu exato oposto. Exemplo mais claro de novilíngua do que esse não existe.

Por isso, só mesmo em um país como o Brasil para existir algo como uma "CPMI das Fake News". Como se investiga algo que você nem sabe o que é? Se tem algo que a armação exposta com o pedido de demissão do juiz Sérgio Moro do Ministério da Justiça ajudou a revelar, e que no fundo todo mundo que consegue somar 2 + 2 já sabia, é que o intuito dessa CPMI é pura e simplesmente criminalizar a mídia alternativa. Para essa gente, print de Whatsapp adulterado é notícia de primeira página, enquanto as várias reportagens investigativas feitas pela mídia da direita são "uma rede de fake news" divulgadas por um "gabinete do ódio" localizado dentro do Palácio do Planalto e comandado por simpatizantes do presidente Bolsonaro. É chamar o povo de palhaço!

É atribuída a Orwell a frase que diz que "jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é propaganda".Sendo dele ou não, a frase é verdadeira. Por isso, a chamada "mídia alternativa" tem feito tanto sucesso e por isso ela é tão achincalhada. Embora ela venha servido prioritariamente como serviço de contra-informação, seu serviço vem se mostrando cada vez mais essencial. Veja a diferença de tratamento que recebe na rua um repórter da TV Globo e um do canal Terça Livre. A população sabe quem diz a verdade. E é por isso que, quanto mais a grande mídia demonstra sua sanha totalitária, mais ela cai em descrédito.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

O despertar


Mais uma vez o povo foi às ruas neste domingo para se manifestar. Dessa vez, contra os atos tirânicos dos governadores e dos representantes das instituições, como Congresso Nacional (Rodrigo Maia), Senado (David Alcolumbre) e STF (Dias Toffoli). No dia do Exército, o povo foi para a frente dos quartéis pedir ajuda para as forças armadas, não para que elas fechem as instituições e tomem o poder, mas simplesmente para ajudar a um povo desarmado, que não tem como lutar contra seus inimigos. Claro que, sim, houve quem pedisse intervenção, mas não tem como dizer que isso não é democrático, pois se acontecesse, foi um pedido do povo, e é o povo quem deve ser livre para decidir seu próprio destino, o que não tem acontecido no Brasil. Mas o quanto um povo precisa estar desesperado para chegar nesse ponto? Isso diz muito sobre a qualidade dos políticos do país.

A presença do presidente Bolsonaro, que ninguém sabia que aconteceria, serviu para criar narrativas de que ele estaria planejando um golpe contra o congresso e o STF, e não o contrário, como foi denunciado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB), o mesmo que denunciou o mensalão, narrativa essa já desmentida pelo próprio presidente, em declaração dada nesta manhã em frente ao Palácio do Planalto, a um eleitor que sugeriu isso.

Desde 2013, o povo vem tomando consciência de seu poder perante a elite. Como dizia o falecido deputado Ulysses Guimarães, "a única coisa que mete medo em político é o povo na rua. Mas, se a liderança daqueles movimentos foi entregue em mãos erradas, o que acarretou somente na queda de Dilma Rousseff e não do sistema inteiro, agora essa massa tem em Bolsonaro alguém que lhe represente de verdade. E se o representante do povo não consegue governar de acordo com a vontade do povo por causa de pessoas que usam as instituições como bem entendem, então não há democracia, já que a vontade da maioria do povo não está prevalecendo. Assim, cabe ao povo lutar para que sua voz seja ouvida. Quem critica isso são pessoas com a mentalidade do "estado-babá", que acham que o povo não tem consciência do que quer e que o estado é quem deve guiar os rumos. Os mesmos que chamam Bolsonaro de fascista por querer diminuir o poder do estado e criticam o AI-5, mas apoiam as medidas autoritárias dos governadores estaduais, algumas delas dignas da Rússia comunista.

O fato é que estamos numa guerra, e estamos em vantagem por enquanto. Mas não podemos recuar, ou a coisa pode ficar muito pior. Não é uma pandemia nem um plano sinistro global que vai determinar os rumos do Brasil.

terça-feira, 7 de abril de 2020

A mídia anti-democrática.

Os problemas da mídia brasileira são grandes e profundos. Com os acontecimentos recentes no Brasil e no mundo, nunca ficou tão claro o modus operandi da imprensa e a quem ela serve. Mas esse é um problema que não é de agora.

Tudo começou com a sindicalização da categoria, iniciada por volta dos anos 60, que ajudou na realização da "marcha contra as instituições" pregada por Gramsci, e brilhantemente destrinchada por Gordon (2017), visto que o sindicato estava na mão dos comunistas, que passaram a ter nome e registro de todos os jornalistas na mão, e passaram a determinar quem iria trabalhar e aonde. Mas, se a utopia comunista prejudicou o jornalismo, foi outra utopia, a tecnicista, pregada pelos militares positivistas, que ajudou a prejudicar o ensino do jornalismo. Na época do regime militar, os mesmos militares que combateram com inegável sucesso as guerrilhas, fizeram vista grossa (o que lhes causou, anos depois, grande humilhação) para a ocupação esquerdista das universidades. E aí, há dois problemas: primeiro - com o excesso de universidades, a oferta de jornalistas formados é sempre maior do que a demanda existente, o que leva alguns jornalistas recém formados, ou ao desemprego, ou a trabalhar em outras atividades relacionadas à área da comunicação, como a publicidade, as relações, públicas, o marketing, entre outras; segundo - a queda na qualidade do ensino, provocada pela efetivação do método sócio-construtivista. Assim, você tem uma grande quantidade de jornalistas com péssima formação intelectual, e em sua maioria analfabetos funcionais, ocupando redações brasil a fora.

Outro grande problema é que a maioria dos órgãos da grande mídia se gaba de uma independência que na realidade não possui. E trabalha contra a existência de órgãos de imprensa verdadeiramente isentos e independentes. Se você possui conta no Twitter, veja as postagens da Vera Magalhães, do Felipe Moura Brasil e da Madeleine Lacsko e vejam se eu não tenho razão. E a coisa fica ainda mais grave quando percebemos que a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e as Agências de Fact-Checking também estão na mão da esquerda. Bem democrático, não?

Com a hegemonia canhota nas faculdades, passou-se a cometer um equívoco que ajuda a explicar o modo de pensar (e agir) de 99% da imprensa brasileira. Como ressalta Derosa (2017), o jornalismo tem como principal função informar, e essa informação tem um efeito transformador na sociedade, já que informação gera conhecimento. Porém, hoje em dia, prega-se o efeito como função. Ora, se o jornalismo deixa de ter a função de informar, então os fatos passam a não ter importância, podendo ser tratados de diversas formas, como explica Charaudeau (2010), e isso, acrescido da total supressão de qualquer opinião anticomunista nas universidades, acaba favorecendo a criação de narrativas, pós-verdades e fake news. É o que acontece com a imprensa brasileira: ela prefere selecionar os fatos e interpretá-los de acordo com a agenda que pretende propagar, o que quase sempre são ideias que vão de encontro aos valores da sociedade brasileira. E isso vem contribuindo cada vez mais para a perda de credibilidade da grande mídia e a ascensão da chamada mídia alternativa. As redes sociais também ajudaram a quebrar essa hegemonia, apesar de que o algoritmo delas, historicamente, mais tem prejudicado a imprensa "de direita" do que ajudado.
Mas aos poucos, o público vai acordando. Canais como a Rede Globo e a TV Bandeirantes, ambos submetidos à China, tem perdido audiência gradativamente, enquanto jornalistas de pensamento oposto, como Alexandre Garcia, Guilherme Fiúza e Augusto Nunes tem sua credibilidade e audiência cada vez maior. Vale destacar também o papel realizado pelo apresentador Sikêra Junior, da TV Acrítica, que tem seu programa exibido em rede nacional pela RedeTV, com audiência cada vez maior. Graças ao apresentador paraibano, as ideias conservadoras voltaram a ganhar espaço na grande mídia, e as hipocrisias dos progressistas foram expostas para todo o país. (Vejam os vídeos do Fernando Melo e do Kodhak para entenderem melhor.)

Analisando psicologicamente, o diagnóstico da grande mídia é de Síndrome de Estocolmo: ela exalta gente que quer tirar sua liberdade e é hostil àqueles que pregam a sua liberdade. Para ela, Lula, que falava abertamente em "regulação da mídia" e era amigo de pessoas como Hugo Chávez, Fidel Castro e Nestor Kirchner, gente com histórico de censura a órgãos de imprensa, é um santo e democrata, enquanto Bolsonaro, que nunca abriu a boca pra falar em censura ou fechamento de jornais, embora teça críticas contundentes ao comportamento da imprensa (a maioria com razão), é tido como um ditador que precisa ser derrubado. Enquanto esse tipo de pensamento não for banido, ou pelo menos revertido, da mídia, esta se afundará cada vez mais junto ao público. Por isso, como diria Dom Pedro II "a imprensa se combate com a imprensa."  

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Tite e a política sul americana.

O que acontece no futebol brasileiro tem muito a ver com o que acontece na política na América do Sul.
O mal futebol apresentado pela seleção brasileira é o retrato de muitas coisas. Primeiro, da mentalidade que impera de uns anos pra cá de que o resultado vale mais do que o desempenho, que é um eufemismo para "os fins não justificam os meios". Vale mais um time que joga feio e vence do que um que joga bonito mas não consegue os resultados.
Culpam o "conservadorismo" do técnico Tite pelo mal desempenho da seleção, mas Tite não tem nada de conservador. É um técnico que fala em "renovação", "reinvenção", mas escala sempre os mesmos jogadores, no máximo trocando um titular pelo seu reserva imediato. E não muda o jeito de jogar da seleção. O conservador, apesar de cético quanto a mudanças, as aceita quando sabe que elas são para melhor e que não destruirão o que já existe de bom. Tite é medroso e reacionário. Medroso nas escalações e reacionário no modo de jogo. Temos um ataque ineficiente, um meio campo inexistente e uma defesa boa, mas que sofre com os erros dos outros setores. Nem mesmo Neymar tem resolvido os problemas desse time. Aliás, nosso camisa 10 vem sendo mais lembrado por problemas extracampo e por contusões do que pelo seu futebol.
Claro que a culpa não é só dele. A Confederação Brasileira de Futebol é uma instituição corrupta, que vem a muitos anos sujando o nome do futebol brasileiro. A Seleção virou um mero negócio, cortando a relação dos jogadores com o povo brasileiro, que hoje sabe quem são os 11 ministros do STF mas não deve saber quem são os onze que vestem o manto canarinho. O nosso calendário, mal planejado, impede que Tite convoque jogadores que estejam atuando no Brasil e que estão em um momento muito melhor do que muitos jogadores renomados. Assim, nomes como Thiago Silva, Daniel Alves e Willian continuam aparecendo na seleção, mesmo quando há outros jogadores pedindo passagem (não que eles não sejam bons jogadores, mas o tempo deles na seleção já passou). Também tem um pouco da arrogância e do corporativismo que predominam em nosso futebol a alguns anos e que impedem mudanças mais profundas em nosso futebol e tudo o que se relaciona com ele. É uma espécie de establishment futebolístico. (Qualquer semelhança com Lula e sua negativa em fazer autocrítica no PT não é mera coincidência).
Fazendo um paralelo com a política, o medo que Tite tem de mudar a seleção é o mesmo que Macri e Piñera tiveram de fazer reformas necessárias na Argentina e no Chile, respectivamente, para que seus países prosperassem. Resultado: o Kirschnerismo retornou na Argentina e no Chile, o alvoroço provocado pelo Foro de São Paulo fez com que se propusesse uma nova assembléia constituinte no país. 
Quando Tite foi chamado para a seleção, seu nome era unanimidade. Era o melhor técnico em atividade no Brasil, e ainda assim, precisou ser praticamente imposto aos cartolas da CBF, que após a humilhação do 7 a 1 em casa numa semifinal de Copa do Mundo, trocou Felipão por Dunga (como ser mais reacionário do que isso?). Mas, com o caminho que a seleção vem tomando, é melhor que Tite saia para que entre alguém que seja mais ousado, que não tenha medo de fazer ajustes necessários, ainda que polêmicos, mas que mantenha o que foi feito de bom; que se inspire nos bons trabalhos que vem sendo feitos por Jorge Jesus, Renato Gaúcho, Thiago Nunes e Jorge Sampaoli no Flamengo, Grêmio, Athlético Paranaense e Santos, respectivamente (Thiago Nunes recentemente acertou com o Corinthians).
Comparando com a política, a seleção brasileira precisa de um técnico com a ousadia de Paulo Guedes, a eficiencia de Tarcísio Freitas e Sérgio Moro e a coragem de Jair Bolsonaro. Alguém que tenha coragem de colocar sempre os melhores jogadores, não só os preferidos.
Só nos resta saber quem será esse nome, antes que seja tarde demais. Que não precisemos de outro 7 a 1 para enxergar nossos problemas.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Amazônia e a guerra midiática.

Já dizia Enéas Carneiro: "a caneta de um mau jornalista pode causar tanto mal quanto o bisturi de um mau médico." E, em se tratando de Amazônia, não há como não citar o falecido deputado federal, que só não foi presidente da república porque naquela época, a internet não era o que é hoje, tornando quase impossível desmentir a mídia. E desde aquela época, meados dos anos 90, Enéas já denunciava os motivos pelos quais o mundo tem tanto interesse pela nossa floresta.
Vejam como a história é engraçada e inverossímil: mesmo com a NASA e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) comprovando que o nível de queimadas na Amazônia é o menor desde 1998, o que se vê na extrema-imprensa é um escarcéu, como se a floresta fosse se extinguir a qualquer momento. E isso gera uma série de postagens patéticas nas redes sociais. O jogador Cristiano Ronaldo, por exemplo, fez uma postagem sobre as queimadas na Amazônia usando uma imagem do Rio Grande do Sul. O presidente da França, Emmanuel Macron, como o bom bicho de estimação da União Européia que é, usou uma imagem da National Geographic de 2003, cujo fotógrafo já até faleceu, para dar seus pitacos sobre o assunto. Logo ele, que não consegue nem evitar a invasão muçulmana no seu próprio país. Quem pagou o preço foi Notre Dame. S'il vou plait Macron! Alías, isso gerou um fato histórico: o cara conseguiu ser desmentido até pela Folha de São Paulo! Realmente, não é pra qualquer um!
Isso tudo deixa uma coisa clara: existe uma guerra midiática visando atingir o governo do Brasil usando a Amazônia. O pretexto é novo, mas a tática já vem sendo usada desde que Bolsonaro venceu a eleição presidencial, visando sempre alguém do governo ou próximo ao presidente: seus filhos, o Ministro Sérgio Moro, a primeira-dama Michelle e agora o Ministro da Agricultura Ricardo Salles (Novo). Isso tudo demonstra o inconformismo do establishment com o resultado do pleito. E numa guerra onde as armas são as narrativas, é difícil derrotar um inimigo que detém quase 100% da mídia, inclusive porque nossa maior arma contra isso, as redes sociais, também está na mão dos globalistas, que são os principais interessados na Amazônia.
Que fique claro que aqui ninguém nega que haja queimadas e desmatamento na Amazônia. Isso é fato. Eu, como amazonense, sei disso muito bem. O que se discute é o impacto destas, ainda mais sabendo que essa época é propícia para queimadas, devido ao clima. Inclusive, o tal incêndio que começou essa história toda aconteceu na Bolívia, vizinha do Brasil. Mas é um problema que cabe ao Brasil resolver, já que a maior parte da floresta fica aqui. Essa é uma das utilidades das forças armadas, não? 
No mais, segue o alerta do professor Olavo de Carvalho: https://www.youtube.com/watch?v=CLJapSO3ByA

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Por que Bolsonaro foi eleito?

Bolsonaro nos braços do povo. Foto: Jornal do País.

Você pode não gostar do candidato, pode não concordar com suas idéias, mas o fato é que Jair Bolsonaro conseguiu ser eleito presidente porque enxergou com antecedência o que muitos de seus colegas políticos não viram ou demoraram a ver.

O sistema político tentou dificultar de todas as formas possíveis, para se proteger: proibiu as candidaturas avulsas, aprovou um fundo eleitoral bilionário, pago com dinheiro público, para compensar a proibição de doações de empresas privadas, tentaram voto em lista e até mesmo transformar o sistema de governo em parlamentarismo (se é o melhor sistema ou não é outra discussão). Mas Bolsonaro veio preparado. Desde o começo de sua campanha, ele sabia que enfrentar o establishment não seria fácil, mas ele foi à luta com as armas que tinha, e venceu. A primeira dificuldade foi achar um partido. Ele sabia da insatisfação popular com os políticos em geral, em virtude dos escândalos revelados pela operação lava-jato e queria se afastar de qualquer coisa que lembrasse essa "velha política". Conseguiu se filiar a um partido até então pequeno, o PSL - Partido Social Liberal. Depois, aderiu a políticas mais liberais, deixando pra trás a imagem de estadista, o que agradou muitos de seus eleitores. E diferentemente dos outros candidatos, Bolsonaro não focou no problema da ecônomia. Ao invés disso, resolveu levantar a bandeira da segurança pública, um problema tão grave quanto no país, e que também nos causa muita preocupação.

Mas a vitória de Bolsonaro se deve a dois principais motivos. Primeiro, pelo fato de ele ter conseguido enxergar nas redes sociais um espaço melhor do que a TV para a divulgação de suas idéias. Mesmo com algumas delas tendo claramente um perfil esquerdista, o espaço da internet e das mídias digitais ainda é mais livre e democrático que os outros meios de comunicação de massa, totalmente dominados pelo establishment. Segundo, porque ele soube se colocar como representante de um crescente e avassalador movimento contracultural liberal-conservador e anti-petista, formado por pessoas cansadas da mordaça verbal, religiosa e cultural, da destruição econômica e da institucionalização da corrupção imposta por dezesseis anos de um governo esquerdista. Alçados ao protagonismo na política brasileira após as mega manifestações populares de junho de 2013, os liberais e conservadores até então não se viam representados na política brasileira (porque não havia, na época, nenhum partido realmente de direita no país), nem tampouco na mídia, apesar de serem maioria no país. E adivinhem qual foi o espaço que essa multidão achou para conseguir se organizar e se expressar? Sim, as redes sociais. Foi assim que as ideias de Bolsonaro encontraram eco através de influenciadores digitais, escritores, artistas (principalmente músicos e atores), e intelectuais não orgânicos (usando a definição Gramsciana), e encontraram essa multidão.

Assim, Bolsonaro se tornou um verdadeiro fenômeno eleitoral. Não somente venceu a eleição para presidente da república, como elegeu todos os candidatos que o apoiaram, com números históricos. A direita deu o seu grito de liberdade. E seus adversários não souberam como reagir. O PT, obsecado com o poder, sucumbiu, vítima da própria arrogância. A esquerda rachou. A grande mídia, muito atacada por Bolsonaro (na maioria das vezes, merecidamente), parece não entender nada do que aconteceu. A estes, só resta fazer oposição, mas não uma oposição que atrase o país só para satisfazer o próprio ego, mas uma oposição ao estilo da que Bill Clinton sofreu nos anos 90 nos EUA. Muito ajuda quem não atrapalha. Esperamos que o sistema político tenha entendido o recado das urnas.