Acho que os maiores gênios do mundo são aqueles que são humildes, ou inocentes, o bastante a ponto de não terem ideia da própria genialidade. Roberto Bolaños nunca deve ter imaginado na vida que se tornaria o mito que é hoje. Sem querer querendo, marcou várias gerações, com seu humor simples, sem pudores ou hipocrisia, que agradava a todos os tipos de público. Tudo isso sem se utilizar de linguagem chula, de apelações ou de mulheres com corpos sarados em trajes minúsculos. Foi comparado, merecidamente, a Shakespeare e Charles Chaplin, não menos geniais. Daí o apelido "Chesperito".
Lembro-me muito bem de minha pré adolescência, quando me deitava no sofá da sala para assistir Chaves no SBT. Já o conhecia de antes, mas foi nessa fase que o acompanhei mais frequentemente. A série não está no ar há quase 30 anos a toa. Mais do que o lado humorístico, Chaves, e também Chapolin Colorado, nos ensinaram várias lições. Nos ensinou que não se precisa de muita coisa pra ser feliz. Parafraseando Chorão, rico é o cara que, com pouco, vive bem. Se isso é verdade, Chaves, sem um tostão no bolso, era milionário! Seu Madruga, personagem tão marcante e mítico da série quanto o protagonista, disse certa vez: posso não ter um centavo no bolso, mas tenho um sorriso no rosto, e isso vale mais do que todo o dinheiro do mundo. Aliás, em seus roteiros, Roberto Bolaños se mostrou grande frasista. Que o digam os (inesquecíveis) bordões de seus personagens: "Sigam-me os bons!", "Palma, palma, palma. Não priemos cânico!" "Se aproveitam de minha nobreza!" "Ninguém tem paciência comigo." "É que me escapuliu." "Tá bom, mas não se irrite!" "Foi sem querer querendo!". Ele nos ensinou também que "a vingança nunca é plena. Mata a alma e a envenena." e que "as pessoas boas devem amar seus inimigos.". Chapolin Colorado também nos ensinou bastante. Um super herói atrapalhado, que não precisava de super poderes para ser herói. Seu martelo de borracha, suas pastilhas encolhedoras e suas antenas eram o bastante para combater seus inimigos, resolver seus mistérios e nos trazer muitas risadas e sorrisos. Foi tão marcante que conseguiu, pela segunda vez na história, unir Globo e SBT (a primeira foi quando Gugu Liberato e Fausto Silva participaram juntos de uma promoção).
Hoje se vai um gênio do humor. E não foi boato, nem piripaque. A Globo deveria aprender com ele. Criou um programa tão bom que está a mais de 20 anos no ar e não perde a graça. Todas as homenagens são merecidas. Ele se junta a Seu Madruga, Dona Clotilde, Jaiminho e Godínez lá em cima. O céu está em festa.
Descanse em paz e obrigado, Roberto. Nosso grande herói. Não contávamos com sua astúcia!
Descanse em paz e obrigado, Roberto. Nosso grande herói. Não contávamos com sua astúcia!
