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| Os Mamonas Assassinas. Da esquerda para a direita: Júlio, Samuel, Dinho, Sérgio e Bento. |
Completados 19 anos do fatídico acidente que interrompeu a carreira da lendária banda de Guarulhos, o nome Mamonas Assassinas ainda trás boas lembranças. O quinteto composto por Dinho Alves (voz e violão), Bento Hinoto (Guitarra e vocais), Julio Rasec (teclados, voz e vocais), Sérgio Reoli (bateria e vocais) e Samuel Reoli (baixo e vocais) fez um sucesso estrondoso em meados de 1995 e no começo de 1996, até o dia 02 de março, quando o jato que trazia a banda de um show em Brasília se chocou contra a Serra da Cantareira, quando estava prestes a pousar no aeroporto de Guarulhos/SP, em circunstâncias que até hoje não foram totalmente esclarecidas.
Mesmo depois de todo esse tempo, músicas como "Robocop Gay" e "Pelados em Santos" ainda estão na ponta da língua de muitos brasileiros. Por isso, listarei abaixo alguns dos motivos que fazem dos Mamonas Assassinas a maior banda da história do rock brasileiro.
A genialidade:
O único disco de estúdio da banda está no livro dos recordes como o disco de estréia mais vendido da história da música brasileira e como o que mais vendeu em menos tempo - 3 milhões de cópias em menos de um ano. (Fonte: wikipedia). A cada dia, o CD vendia 25 mil unidades, o que, naquela época, equivalia a um disco de ouro a cada 2 dias. O que é mais impressionante é que, com exceção das músicas "Robocop Gay", "Pelados em Santos", "Sábado de sol" e "Sabão Crá Crá", todas as outras músicas do disco foram compostas num período de, pasmem, UMA SEMANA! Isso se deveu a uma exigência da EMI para que o contrato com a banda fosse assinado. Além disso, eles conseguiram fazer misturas inusitadas darem certo. Rock com fado (Vira-vira), baião com heavy metal (Jumento Celestino), etc. Antes deles, só Raul Seixas teve tamanha ousadia.
*Curiosidade: o disco deveria ter 15 faixas, mas a música "Não peide aqui, baby", uma versão composta pela banda da música "Twist and shout" dos Beatles, foi censurada. A música só foi lançada oficialmente 10 anos depois do falecimento da banda.
O carisma
Uma das características marcantes da banda era a sua simpatia. Isso fez com que a banda conquistasse todo o tipo de público: de crianças bem pequenas a adultos. Mesmo com todo o assédio que eles, como a banda mais famosa do país na época, tinham, nunca deixaram de atender aos fãs. Só o simples fato de aparecerem num programa de TV já triplicava a audiência daquele programa, fosse no programa da Hebe Camargo, do Gugu ou do Faustão. Todos os shows da banda tinham lotação máxima, onde quer que acontecessem, por isso, ficaram conhecidos no ramo como a banda "rolo compressor". Qualquer produto atribuído à eles vendia feito água. Eles conseguiram se tornar em 07 meses o que várias bandas com décadas de carreira ainda lutam pra tentar alcançar. Uma comoção com a que o acidente deles causou na manhã de domingo seguinte, durante o velório e enterro da banda, só tinha sido sentida antes com a perda de Ayrton Senna, quase 2 anos antes. Receberam várias homenagens: o músico Alexandre Pires compôs uma música chamada "Tributo aos Mamonas". Os Titãs dedicaram seu disco acústico à banda e gravaram uma versão de "Pelados em Santos". Em Guarulhos, cidade natal da banda, foi construída uma praça com o nome da banda, entre várias outras.
A espontaneidade
Como o próprio empresário da banda, Rick Bonadio, disse, eles fizeram sucesso sendo eles mesmos. Quando nos dias de hoje vemos artistas fabricados pela mídia, vimos que, em 1995, eles não precisaram de nada disso.
Quebra de paradigmas
O grupo conseguiu ser o que foi numa época em que tudo jogava contra eles: as gravadoras não buscavam artistas novos; a indústria fonográfica enfrentava uma crise devido a transição dos discos de vinil para os CD's; e o grupo resolveu tocar rock numa época onde predominavam o axé e o pagode. Além disso, eles conseguiram algo incrível: esfregaram na cara da sociedade brasileira as suas maiores hipocrisias. Com suas críticas pontuais, suas rimas ousadas (andaime com Van Damme, por exemplo) e sua malícia inocente (mesmo que com alguns palavrões), surpreendentemente, até mesmo para eles próprios, a maior parte do público da banda era composta por crianças. E eles eram criticados por ensinarem "palavras torpes" para as crianças (crentelho é foda...), como se elas não pudessem aprender essas coisas em qualquer lugar, na escola, na rua ou até mesmo em casa. Então, melhor aprender assim de forma inocente (duvido que alguma delas sabia o que significava "suruba" na época) do que de outras formas. Aliás, essa relação deveria ser objeto de uma tese de mestrado, já que, em muitas ocasiões, as crianças nos mostram como somos caretas.
A história de vida
Numa época em que ainda compensava ser trabalhador no Brasil, eles nos mostraram que, com muito trabalho e com honestidade, você pode conseguir chegar aonde quiser e realizar todos os seus sonhos, por mais difícil e árduo que isso pareça. Eles mesmos ralaram 5 anos como banda Utopia para desfrutarem de 7 meses de um sucesso que só aconteceu quando eles resolveram liberar todo o seu lado alegre (já que as músicas do grupo eram bem melancólicas até então). Os Mamonas Assassinas que apareciam na TV eram os mesmos diante de seus familiares e amigos, e isso também ajudou a torná-los o mito que são.
O vácuo
Nenhuma banda conseguiu preencher o vazio deixado pelo quinteto. Mesmo os Raimundos, outra grande banda brasileira, que também tem uma pitada de humor em suas músicas, se mantém na mídia como uma banda "séria". Entre os músicos humoristas, talvez o único tão genial quanto seja o cearense Falcão, mas ele é cantor de brega e não de rock (apesar de ter gravado uma música com o Massacration). E por falar em Massacration, a escrachada banda criada pelos humorista dos Hermes e Renato também foi outra que teve aparição razoável misturando trash metal com inglês "macarrônico". Mas nenhum deles jamais será o que os Mamonas foram.
Foram uma banda a frente do seu tempo.
Dinho já satirizava Lula muito antes dele ter sido presidente da República. Em tempos de Camaro Amarelo, foi uma Brasília Amarela que guiou o quinteto para o sucesso. Eles já falavam em "rolezinho" muito antes de toda a polêmica sobre o assunto surgir. E já defendiam os gays antes de toda a tensão envolvendo o movimento LGBT. A frase "Abra sua mente, gay também é gente" virou slogan do movimento (chupa, Feliciano!).
A atualidade
Mesmo depois de 19 anos, ainda continuam surgindo novidades sobre a banda. Em um caderno que pertencia ao tecladista Julio, estão letras de algumas músicas que não chegaram a ser gravadas, mas que poderão ser lançadas em breve, segundo o ex-empresário e produtor da banda, Rick Bonadio. Um exemplo foi a música "Renato, o Gaúcho" que teve duas versões divulgadas: pela banda Contra as Nuvens, com participação de Falcão e NX Zero (https://www.youtube.com/watch?v=iNu9uaTNMQQ) e pela banda gaúcha EZDP, com participação de Ito Reoli, pai de Sérgio e Samuel (https://www.youtube.com/watch?v=k9WyxE-lL9M).
É por essas e outras que os Mamonas Assassinas estarão para sempre no coração de todos os brasileiros.
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