sábado, 16 de abril de 2016

Autocrítica

Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente, e pela mesma razão.” Eça de Queiroz

O próximo domingo, dia 17, será um dia histórico para o Brasil. Nesse dia, será votado no Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, o Impeachment da presidente Dilma Rouseff, acusada de crime de responsabilidade fiscal. E, embora muitos governistas critiquem o julgamento, acusando de “golpe”, eles mesmos reconhecem que uma vitória no domingo é praticamente impossível. Melhor que um impeachment invevitável seria se o TSE cassasse a chapa Dilma – Temer, já que, de acordo com o relatório do Tribunal de Contas da União, a chapa se elegeu com dinheiro desviado no escândalo da Petrobrás. Mas isso entregaria o país na mão de Eduardo Cunha, presidente da câmara e responsável pelo julgamento da presidente, o mesmo alvo da Operação Lava-jato e de ação no conselho de ética da câmara, que pode cassar seu mandato.

Esse é o ponto central da questão. Muitos que são contra o impeachment, argumentam que tudo não passa de um complô de Eduardo Cunha com o vice-presidente Michel Temer, para tomar o poder e que a maioria dos deputados que está julgando o relatório do impeachment tem problemas com a justiça. Por mais paranóico que isso soe, devemos fazer uma auto-crítica, para que isso não pareça hipocrisia. Esses caras tem culpa sim de serem corruptos ou cometerem qualquer tipo de crime. Mas parte da culpa também é nossa de elegê-los. Então, se políticos criminosos julgam crimes políticos, a culpa é do povo.

Por isso, temos que tirar o dia 17 como lição. O impeachment, inevitavelmente, vai acontecer. Há crime de responsabilidade comprovado pelo TCU e vários motivos e agravantes. E será melhor para o país, pelo menos econômicamente falando, que o PT deixe o poder depois de 14 anos, por mais tensão que haja depois. Teremos, daqui pra frente, que escolher melhor nossos candidatos, pesquisando além de suas propostas, seus antecedentes criminais, se houverem. Devemos também cobrar a eficácia da lei da ficha-limpa, que é uma vitória do povo. Mas, acima de tudo, devemos ter consciência de que os políticos trabalham para o povo, e recebem MUITO dinheiro pra isso. Nós damos poder a eles e nós podemos tirá-lo, se nossas expectativas não forem cumpridas. São os políticos que se submetem ao povo, e não o contrário. Quem manda no Brasil é o seu povo. Por isso o nome democracia.

Depois do impeachment, só nos resta ter esperança. O cenário que se seguirá promete ser tenebroso, mas a tendência, se tudo der certo, é melhorar.