terça-feira, 24 de setembro de 2013

E viva o politicamente incorreto!

Tom e Jerry: Cartoon Network vai retirar o desenho do ar.

Nunca gostei dessa história de "politicamente correto". Acho falso moralismo. Fora a forma como isso destrói o humor. Mas, infelizmente, nós vivemos num país onde a política é levada na brincadeira, e o humor é levado a sério. Wanessa Camargo que o diga. Na boa? Tem muita coisa mais importante pra se preocupar do que com o fato de um desenho animado (muito legal, por sinal) deve ser considerado mal exemplo ou não! Pra quem ainda não sabe, o Cartoon Network vai parar de exibir o desenho animado "Tom e Jerry" por que o considera politicamente incorreto e um mal exemplo às crianças. Só agora eles fazem isso, depois de anos e anos exibindo o desenho e com boa audiência? Se fosse por isso, os pais deviam proibir as crianças de assistirem ao Pica-pau, que tem mais "violência" ainda! O pior é quando culpam os jogos, mas nem vou falar nisso, pois já toquei nesse assunto 500 vezes.
Reflitam vocês, pais, o que é melhor pro seu filho? Assistir a um desenho animado ou assistir aos programas cada vez mais imorais (em qualquer sentido) que passam na televisão? Ouvir uma música com uma letra boa ou um funk, forró ou algo do tipo, com letras cada vez mais escrachadas? Quando eu era criança, meu desenho favorito era "Os Cavaleiros do Zodíaco", que é um desenho violento, e nem por isso eu me tornei uma pessoa ruim! E olha que os desenhos japoneses tem muita coisa para os odiadores odiarem. Principalmente os crentes.
Sobre a questão do racismo, acho que cabe interpretação. A palavra ou frase só é racista dependendo da forma como ela é empregada. Li uma frase uma vez que dizia: "Eu não sou racista, porque racismo é crime e crime é coisa de preto!" Além de engraçada, trata-se de uma grande verdade, pois essa frase resume de forma crítica o pensamento de muitas pessoas que são racistas, mas negam até a morte. Mas é politicamente incorreta, e tem gente que não vai gostar de ouvi-la. A questão é que uma piada ou desenho animado ou programa que é bom por ser politicamente incorreto, poderia não ser bom se fosse politicamente correto. O Cartoon Network esta aí pra provar. Aquele que já foi o maior canal de desenhos animados da televisão brasileira, santuário dos animes e desenhos antigos (e até dos adultos, quando exibia o "Adult Swim"), hoje vive no ostracismo, com desenhos animados de baixa qualidade, comparados aos que eram exibidos antes (um ou outro se salva). Mas isso não é exclusividade do Cartoon. O falecido Animax, o Boomerang e, ouso dizer, até a própria Disney sofrem do mesmo mal hoje. Querem agradar a todos, e no final, acabam não agradando ninguém. Mas as pessoas preferem perder tempo pensando se o Hortelino Trocaletras, ao usar uma espingarda pra caçar o Pernalonga, faz ou não apologia ao uso de armas, à caça e aos maus-tratos aos animais. O pior de tudo são os babacas do PETA criticando o jogo Pokémon pelo mesmo motivo.
Francamente? Senso crítico e bom senso são as grandes armas do ser humano e não fazem mal a ninguém. Usem isso sempre, por favor!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A crise do rock nacional.



Em 2013, presenciamos o triste fim do grupo Charlie Brown Jr., uma das maiores bandas de rock do Brasil. Em março, o vocalista Chorão foi encontrado morto, vítima de overdose de cocaína. Na época, fiquei tão emocionado que só consegui escrever sobre o assunto 5 dias depois. E eis que, 6 meses depois, me vem a sensação de deja vú com a morte do Champignon, baixista da antiga banda, que se tornou A Banca, onde ele virou vocalista. Morreu jovem, com 35 anos, deixando uma filha, uma esposa grávida e milhares de fãs. Talvez não tenha aguentado a pressão que era substituir o amigo, compositor lendário. Tentou seguir em frente, tal qual Dave Grohl, ex baterista do Nirvana, quando fundou o Foo Fighters. Não tentava ser igual a Chorão nos vocais. Nem poderia, pois, apesar de conduzir bem os shows, ele não tinha a mesma presença de palco. Se contentava apenas em fazer algo parecido, e não negava isso. Mesmo assim, alguns fãs de Chorão o detestavam, principalmente depois da última briga dos dois, em cima do palco. Isso pode ter sido um fatos. Dois grandes músicos derrotados pela depressão. Uma banda como o Charlie Brown não merecia um fim assim. Agora só restam as lembranças.
A história do Champignon se torna ainda mais trágica quando lembramos a história de uma de suas antigas bandas, a 9 Mil Anjos. Além de Champignon, o guitarrista Peu, ex-Pitty, também cometeu suicídio, pelo mesmo motivo. E o baterista Júnior Lima, irmão da cantora Sandy, com quem formou uma dupla, recentemente passou por internação.
Acho que o rock no Brasil corre sério risco de extinção. As bandas que ainda conseguem manter o gênero na ativa são ofuscadas pela música comercial. E pra piorar, os caras bons morrem. Ainda bem que consegui assistir ao show da Banca em Manaus. Por incrível que pareça, a internet fez mal para a música. Hoje em dia é muito fácil fazer sucesso. Qualquer um pode fazer uma música mequetrefe e jogar na internet que vai ter quem ouça e "curta". E nós temos que aguentar. Se for só uma crise, ela está muito duradoura. 
Outro problema é ver que pessoas que pareciam ter a mente forte, até mesmo pelas mensagens que passavam, acabarem dessa maneira. Diferentemente de Chorão, Champs não usava drogas. Era bem mais alegre e tinha personalidade bem menos agressiva que a do amigo. Rezo pra que não aconteça o mesmo com as bandas que ainda restam, para podermos ter esperança numa música melhor um dia. Tenho saudade dos anos 80 mesmo sem ter nascido, e dos anos 90, de bandas como os saudosos Mamonas Assassinas. Espero um dia ver bandas como os Mamonas e o Charlie Brown Jr. novamente.
Descanse em paz, Champignon.