sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Tinha que ser o Chaves!


Acho que os maiores gênios do mundo são aqueles que são humildes, ou inocentes, o bastante a ponto de não terem ideia da própria genialidade. Roberto Bolaños nunca deve ter imaginado na vida que se tornaria o mito que é hoje. Sem querer querendo, marcou várias gerações, com seu humor simples, sem pudores ou hipocrisia, que agradava a todos os tipos de público. Tudo isso sem se utilizar de linguagem chula, de apelações ou de mulheres com corpos sarados em trajes minúsculos. Foi comparado, merecidamente, a Shakespeare e Charles Chaplin, não menos geniais. Daí o apelido "Chesperito".
Lembro-me muito bem de minha pré adolescência, quando me deitava no sofá da sala para assistir Chaves no SBT. Já o conhecia de antes, mas foi nessa fase que o acompanhei mais frequentemente. A série não está no ar há quase 30 anos a toa. Mais do que o lado humorístico, Chaves, e também Chapolin Colorado, nos ensinaram várias lições. Nos ensinou que não se precisa de muita coisa pra ser feliz. Parafraseando Chorão, rico é o cara que, com pouco, vive bem. Se isso é verdade, Chaves, sem um tostão no bolso, era milionário! Seu Madruga, personagem tão marcante e mítico da série quanto o protagonista, disse certa vez: posso não ter um centavo no bolso, mas tenho um sorriso no rosto, e isso vale mais do que todo o dinheiro do mundo. Aliás, em seus roteiros, Roberto Bolaños se mostrou grande frasista. Que o digam os (inesquecíveis) bordões de seus personagens: "Sigam-me os bons!", "Palma, palma, palma. Não priemos cânico!" "Se aproveitam de minha nobreza!" "Ninguém tem paciência comigo." "É que me escapuliu." "Tá bom, mas não se irrite!" "Foi sem querer querendo!". Ele nos ensinou também que "a vingança nunca é plena. Mata a alma e a envenena." e que "as pessoas boas devem amar seus inimigos.". Chapolin Colorado também nos ensinou bastante. Um super herói atrapalhado, que não precisava de super poderes para ser herói. Seu martelo de borracha, suas pastilhas encolhedoras e suas antenas eram o bastante para combater seus inimigos, resolver seus mistérios e nos trazer muitas risadas e sorrisos. Foi tão marcante que conseguiu, pela segunda vez na história, unir Globo e SBT (a primeira foi quando Gugu Liberato e Fausto Silva participaram juntos de uma promoção). 
Hoje se vai um gênio do humor. E não foi boato, nem piripaque. A Globo deveria aprender com ele. Criou um programa tão bom que está a mais de 20 anos no ar e não perde a graça. Todas as homenagens são merecidas. Ele se junta a Seu Madruga, Dona Clotilde, Jaiminho e Godínez lá em cima. O céu está em festa.
Descanse em paz e obrigado, Roberto. Nosso grande herói. Não contávamos com sua astúcia!

sábado, 25 de outubro de 2014

Mordaça

"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade."
É com essa frase de George Orwell que começo esse texto, para falar sobre algo que me deixou indignado. O ataque ao prédio da Editora Abril, onde é produzida, entre outras, a revista Veja, por simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT), escancara uma triste realidade para o jornalismo e o povo brasileiro. Tudo bem que a Veja tem um histórico de ser anti-ética, de desobedecer algumas regras jornalísticas e ter algumas opiniões polêmicas. Eu mesmo já critiquei a revista neste blog, e muitas vezes não recomendei a leitura dela, mas nada justifica o que aconteceu ontem. É incrível como a política interfere no jornalismo. Por essas e outras é que somos o país número 1 em mortes de jornalistas na América Latina. Temos que tomar muito cuidado pra que o Brasil volte aos tempos da ditadura e não se torne uma Argentina, ou pior, uma Venezuela, onde a imprensa tem que lutar todos os dias contra políticos autoritários, que só permitem que seja publicado o que lhes convém.
E nós já fomos mais inteligentes, como diria Carlos Nascimento. As eleições desse ano provaram que junho de 2013 acabou sendo apenas por 20 centavos. Porque fazer aquele estardalhaço todo pra eleger gente como Marco Feliciano, Celso Russomano, Jair Bolsonaro (ícones do conservadorismo) e reeleger pessoas como Fernando Collor é dose. Ou é cumplicidade ou é muita burrice! Ainda fiquei contente com o fato de que, aqui no Amazonas, nos livramos de gente como os irmãos Souza e a família Castelo Branco (pelo menos por enquanto), mas ainda temos que melhorar muito! E a eleição pra presidente? Tanto pedido por mudança pra ter que decidir novamente entre PT e PSDB? Tudo bem que Marina Silva não fez muito por onde ser a terceira opção, mas não é possível que o povo não perceba a baixaria que está sendo praticada pela situação! Enfiando mentiras pela goela do povo abaixo, deturpando informações... Que país é esse?
Esse é o papel do jornalismo: esclarecer a população. Investigar e divulgar informações, boas ou ruins, sobre qualquer tipo de assunto, doa a quem doer. Ajudar o povo a ter senso crítico. Tenho vários motivos pra não votar em Aécio Neves, mas entre ele e a Dilma, infelizmente, sou obrigado a votar no Tucano, por mais que não queira. O mal da democracia é essa: a maioria deve se submeter a uma minoria, por mais que a minoria esteja certa e seja mais esclarecida.
O que o futuro presidente do Brasil precisa saber é que os problemas sociais do Brasil acontecem em efeito dominó. Um leva ao outro. E que, numa democracia, o voto não pode ser obrigatório, pois assim, você obriga a população a eleger gente que não merece nem disputar uma eleição. Quando percebermos isso, e quando tivermos uma imprensa que possa atuar de forma livre, aí sim, caminharemos para ser um país de primeiro mundo. E devemos fazer isso antes que o Brasil dê PT. Oremos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O ópio do povo.

Marina Silva: candidata do PSB à Presidência da República (Fonte: Veja.com.br)


No atual cenário eleitoral, uma candidata vem se destacando muito nos últimos meses. E por isso mesmo, sua campanha vem sendo motivo de elogios por alguns e de críticas por outros. Nada demais, afinal, ninguém agrada a todos.

A grande questão é que, apesar da força política que possui, a candidata Maria Osmarina Silva Vaz de Lima, ou Marina Silva, como queiram, ainda precisa provar muita coisa. Depois de aparecer muito bem em 2010, conseguindo um honroso 3º lugar, com pouco menos de 20 milhões de votos e levando a disputa entre Dilma Rousseff para o segundo turno, Marina surge, por vias tortas, como séria candidata a ocupar o posto mais alto da política brasileira, algo já previsto anteriormente por este blog. O (estranho) acidente de avião que tirou a vida do então candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB) Eduardo Campos, fez com que a popularidade da ex-senadora, que já era bem grande desde as manifestações populares de junho do ano passado, crescesse ainda mais. E, como diria Humberto Gessinger, cada coisa que se mova é um alvo, e ninguém tá salvo. O programa de governo da candidata tem ideias boas, algumas discutíveis, outras nem tanto, mas é, principalmente, marcado por contradições. A propaganda divulgada nas redes sociais já foi alvo de várias erratas. A polêmica mais recente é sobre a também polêmica questão da homofobia. A criminalização desta, que estava incluída no programa da candidata, enquadrada nos mesmos moldes do racismo, foi duramente criticada, obviamente, por pessoas ligadas à religião evangélica, entre eles, Silas Malafaia, e logo depois, omitida do programa. Pois bem, quem assistiu ao último debate entre os presidenciáveis, ocorrido na última semana, e a entrevista da mesma ao programa Roda Viva, da TV Cultura, pôde ouvir a opinião da candidata a respeito de alguns desses temas polêmicos. A candidata sempre disse ser a favor dos direitos civis de casais homossexuais, mesmo sendo contra o casamento destes, como instituição. E nunca se contradisse a esse respeito. A candidata, que é membro da Assembleia de Deus, também exaltou o Estado Laico no Brasil (o que já é contraditório), apesar de ter dito que o Estado era “laico, mas não era ateu”. Não chegou ao absurdo dito por Marco Feliciano, de que o Brasil era um Estado “Laico-Cristão”, mas é algo a se prestar atenção quando se leva em conta que a candidata disse no debate que “não se pode deixar o lado religioso interferir no lado político”. Isso é uma verdade absoluta, mas que também é a maior de suas contradições até agora. Se ela acredita realmente nisso, não deveria ter mudado seu programa nem mesmo sob pressão. É claro que ela pode ter feito isso apenas com propósito eleitoreiro (para não perder votos dos evangélicos), mas mesmo assim, pegou mal. Todo mundo sabe que a grande praga da política brasileira, depois da corrupção, é a bancada evangélica e suas práticas. O principal argumento destes contra a criminalização da homofobia é que ela vai contra o princípio da “liberdade religiosa”. Ora, quer dizer que “pastor” agora está acima da lei? E que o estado só é laico quando convém? A minha opinião é de que todas essas pessoas do naipe de Silas Malafaia, Edir Macedo, Waldemiro Santiago e Marco Feliciano são uns fanfarrões babacas, e a parte da imprensa que dá atenção ao que eles dizem também é. Se Martinho Lutero estivesse vivo hoje, morreria de desgosto ao ver a religião que ele criou cometendo os mesmos erros que combatia. A história está aí para provar que religião e política nunca deram certo juntos. E na questão do radicalismo religioso, eles não são nem um pouco melhores que grupos como o Talebã ou o Estado Islâmico, por exemplo, que deturpam as leis religiosas em prol da violência. Essa gente apenas confirma a celebre frase de Karl Marx: “A religião é o ópio do povo”. Perdoa Pai. Eles não sabem o que fazem.

Marina Silva tem uma fama, nunca confirmada, de ser radical em suas ideias. Mas uma pessoa na situação dela não pode se dar ao luxo de cometer certos erros. Ela nunca esteve tão próxima de vencer uma eleição para presidente como está agora, mas suas contradições, inclusive na questão da “nova política”, que de nova não tem muita coisa, podem lhe custar caro. Sua biografia é inquestionável, mas ela deve treinar melhor como expor suas ideias e opiniões. Por muitas vezes, mostra o mesmo problema da atual presidente: fala bastante, mas nem sempre responde da forma como se deve. Não consegue se fazer entender. Se souber reconhecer seus erros, coisa que a atual presidente não sabe, já fica em grande vantagem, pois seus adversários não poderão usar isso contra ela. Assim, é bom que Dilma Rousseff e Aécio Neves se cuidem. No dia 05 de outubro, veremos o resultado de tudo isso. Mas uma coisa é garantida. Será uma eleição histórica!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Mineirazo!

Brasil 1 x 7 Alemanha. Jogadores ficam abatidos após derrota histórica. Fonte: copadomundo.com.br


08 de julho de 2014. Um dia histórico para o futebol mundial. O Brasil, país anfitrião da Copa do Mundo de Futebol, sucumbiu de forma inacreditável para a Alemanha. E se não bastasse o placar de 7 a 1 ter sido o maior vexame da história do futebol, ele ainda escancarou todos os graves problemas pelos quais o futebol do país passa. Foi o dia em que nosso futebol se tornou igual à nossa saúde, a nossa educação e ao nosso sistema de transporte público. Primeiro, por causa de uma federação corrupta, negligente e incompetente. Segundo, por causa da estrutura defasada. Nossas categorias de base não conseguem revelar mais tantos bons jogadores como antes, e o grande êxodo de jogadores para a Europa só torna a situação mais difícil. Temos revelado mais Freds e menos Ronaldos. Nosso campeonato nacional é medíocre, a ponto de passarmos por uma crise de público, mesmo em jogos "grandes". A coisa tá tão feia que a seleção nacional não possui nenhum jogador dos atuais times campeões nacionais (Cruzeiro e Flamengo). Deve haver uma grande reformulação, para que o futebol brasileiro volte a ser o que era até 2002. A geração Neymar conta com bons nomes, mas não foi capaz de conquistar os principais títulos que disputou (Olimpíadas e Mundial). E o erro de todo mundo foi achar que a Copa das Confederações é parâmetro para alguma coisa. Que o digam as seleções de Parreira (2006) e Dunga (2010). Do time atual, pouquíssimos estarão em 2018. Na defesa titular, Thiago Silva e David Luiz ainda podem ser aproveitados, mas nenhum com a faixa de capitão. Nas laterais, apenas Marcelo. No meio, Luiz Gustavo, Fernandinho, Oscar, talvez Paulinho. No ataque, apenas Neymar. A garimpagem de nomes deve ser feita de forma geral. E já existem boas opções jovens, como os meias-atacantes Phillipe Coutinho, do Liverpool e Roberto Firmino, do Hoffenheim e o zagueiro Marquinhos, do PSG, sem nos esquecermos de outros nomes que já apareceram bem antes, como Lucas Leiva, Rômulo e Rafinha Alcântara. Alguns nomes que foram especulados para este mundial e ficaram de fora também podem aparecer. Casos do goleiro Diego Alves, do Valência, dos laterais Rafinha, do Bayern de Munique e Filipe Luis, do Atlético de Madri, junto com seu companheiro Miranda, zagueiro, além do meia-atacente Lucas Moura, do PSG. O problema é que não há outros grandes nomes para as laterais ou para o gol, por exemplo. No ataque, a escassez nunca foi tão grande. Não temos mais nenhum nome no nível de Adriano Imperador, Romário ou Ronaldo Fenômeno. A última esperança, Diego Costa, preferiu a seleção espanhola. Por isso, a conclusão é a de que, no fim das contas, Mano Menezes estava certo: a Seleção Brasileira deve jogar sem um atacante fixo na área. Assim, esqueçam os selecionáveis Fred, Jô, Leandro Damião e Luiz Fabiano. O único que ainda pode voltar a vestir a amarelinha é Alexandre Pato, se voltar a mostrar o futebol do começo da carreira. Sem opções na Europa, o mercado nacional deve ser olhado com mais carinho. Jogadores como Hernane Brocador, do Flamengo e Marcelo Cirino, do Atlético Paranaense podem ganhar uma chance se voltarem a apresentar o futebol que jogaram em 2013. Mas o titular deve ser Alan Kardec, do São Paulo, que esteve na lista de suplentes para este mundial. Mas a questão chave é a do novo treinador. Dos nomes em questão, o mais especulado é o de Tite, que ganhou títulos importantes por Internacional e Corinthians, mas que mostrou dificuldades para armar times ofensivos. Muricy Ramalho é outro nome que corre à boca pequena, mas também tem seus defeitos. Talvez seja hora de um treinador estrangeiro, alguém que seja louco e corajoso o suficiente para impor novas ideias. Nomes como Marcelo “El Loco” Bielsa ou Pepe Guardiola, apesar de eu achar este último um pouco radical, às vezes. Nas circunstâncias atuais, até mesmo José Mourinho seria um bom nome. Mas nada disso vai adiantar se não houver uma reestruturação completa desde a Confederação. Torçamos para que o movimento Bom Senso F. C. consiga impor suas ideias, boas em sua maioria, e que o governo ajude. Em 2002, a derrota para o Brasil na final fez com que a Alemanha fizesse uma reformulação total do seu futebol, desde a formação de jogadores, até a forma de se jogar. E o trabalho vem dando resultados. Mas o Brasil praticamente parou desde o pentacampeonato. Nossa seleção de 2006 foi um amontoado de craques que não conseguiu formar um time. A de 2010 era até boa, mas sucumbiu pelo mesmo problema do time atual: a falta de estrutura emocional. Que a tragédia ocorrida no estádio Mineirão tenha servido para retribuir o favor. Ano que vem, tem a Copa América.

Sugestão para time titular: Diego Alves; Rafinha, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Luiz Gustavo, Rômulo, Philippe Coutinho e Roberto Firmino; Neymar e Alan Kardec.