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| Marina Silva: candidata do PSB à Presidência da República (Fonte: Veja.com.br) |
No atual cenário eleitoral, uma candidata vem se destacando muito nos últimos meses. E por isso mesmo, sua campanha vem sendo motivo de elogios por alguns e de críticas por outros. Nada demais, afinal, ninguém agrada a todos.
A grande questão é que, apesar da força política que possui, a candidata Maria Osmarina Silva Vaz de Lima, ou Marina Silva, como queiram, ainda precisa provar muita coisa. Depois de aparecer muito bem em 2010, conseguindo um honroso 3º lugar, com pouco menos de 20 milhões de votos e levando a disputa entre Dilma Rousseff para o segundo turno, Marina surge, por vias tortas, como séria candidata a ocupar o posto mais alto da política brasileira, algo já previsto anteriormente por este blog. O (estranho) acidente de avião que tirou a vida do então candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB) Eduardo Campos, fez com que a popularidade da ex-senadora, que já era bem grande desde as manifestações populares de junho do ano passado, crescesse ainda mais. E, como diria Humberto Gessinger, cada coisa que se mova é um alvo, e ninguém tá salvo. O programa de governo da candidata tem ideias boas, algumas discutíveis, outras nem tanto, mas é, principalmente, marcado por contradições. A propaganda divulgada nas redes sociais já foi alvo de várias erratas. A polêmica mais recente é sobre a também polêmica questão da homofobia. A criminalização desta, que estava incluída no programa da candidata, enquadrada nos mesmos moldes do racismo, foi duramente criticada, obviamente, por pessoas ligadas à religião evangélica, entre eles, Silas Malafaia, e logo depois, omitida do programa. Pois bem, quem assistiu ao último debate entre os presidenciáveis, ocorrido na última semana, e a entrevista da mesma ao programa Roda Viva, da TV Cultura, pôde ouvir a opinião da candidata a respeito de alguns desses temas polêmicos. A candidata sempre disse ser a favor dos direitos civis de casais homossexuais, mesmo sendo contra o casamento destes, como instituição. E nunca se contradisse a esse respeito. A candidata, que é membro da Assembleia de Deus, também exaltou o Estado Laico no Brasil (o que já é contraditório), apesar de ter dito que o Estado era “laico, mas não era ateu”. Não chegou ao absurdo dito por Marco Feliciano, de que o Brasil era um Estado “Laico-Cristão”, mas é algo a se prestar atenção quando se leva em conta que a candidata disse no debate que “não se pode deixar o lado religioso interferir no lado político”. Isso é uma verdade absoluta, mas que também é a maior de suas contradições até agora. Se ela acredita realmente nisso, não deveria ter mudado seu programa nem mesmo sob pressão. É claro que ela pode ter feito isso apenas com propósito eleitoreiro (para não perder votos dos evangélicos), mas mesmo assim, pegou mal. Todo mundo sabe que a grande praga da política brasileira, depois da corrupção, é a bancada evangélica e suas práticas. O principal argumento destes contra a criminalização da homofobia é que ela vai contra o princípio da “liberdade religiosa”. Ora, quer dizer que “pastor” agora está acima da lei? E que o estado só é laico quando convém? A minha opinião é de que todas essas pessoas do naipe de Silas Malafaia, Edir Macedo, Waldemiro Santiago e Marco Feliciano são uns fanfarrões babacas, e a parte da imprensa que dá atenção ao que eles dizem também é. Se Martinho Lutero estivesse vivo hoje, morreria de desgosto ao ver a religião que ele criou cometendo os mesmos erros que combatia. A história está aí para provar que religião e política nunca deram certo juntos. E na questão do radicalismo religioso, eles não são nem um pouco melhores que grupos como o Talebã ou o Estado Islâmico, por exemplo, que deturpam as leis religiosas em prol da violência. Essa gente apenas confirma a celebre frase de Karl Marx: “A religião é o ópio do povo”. Perdoa Pai. Eles não sabem o que fazem.
Marina Silva tem uma fama, nunca confirmada,
de ser radical em suas ideias. Mas uma pessoa na situação dela não pode se dar
ao luxo de cometer certos erros. Ela nunca esteve tão próxima de vencer uma
eleição para presidente como está agora, mas suas contradições, inclusive na
questão da “nova política”, que de nova não tem muita coisa, podem lhe custar
caro. Sua biografia é inquestionável, mas ela deve treinar melhor como expor
suas ideias e opiniões. Por muitas vezes, mostra o mesmo problema da atual
presidente: fala bastante, mas nem sempre responde da forma como se deve. Não
consegue se fazer entender. Se souber reconhecer seus erros, coisa que a atual
presidente não sabe, já fica em grande vantagem, pois seus adversários não
poderão usar isso contra ela. Assim, é bom que Dilma Rousseff e Aécio Neves se
cuidem. No dia 05 de outubro, veremos o resultado de tudo isso. Mas uma coisa é garantida. Será uma eleição histórica!
