terça-feira, 29 de novembro de 2016

As lições que a Chapecoense nos ensinou.


Todos nós acordamos consternados com a notícia da queda do avião que levava o time da Chapecoense para a Colômbia, onde o time disputaria a final da Copa Sul-Americana nesta quarta feira. Uma tragédia que deu um fim triste a uma história que tinha tudo para ter um final feliz.

Mas, mesmo com toda a comoção, devemos lembrar das lições que a Chapecoense nos ensinou. A equipe da cidade de Chapecó, em Santa Catarina, meio que se tornou o segundo time dos brasileiros. Era pra ser um exemplo: paga os salários em dia, quase não tem dívidas, tem um elenco de jogadores razoável, mas suficiente para grandes feitos, e, acima de tudo, tem uma grande ligação com a sua torcida, quase íntima. Por isso, mesmo sendo considerada uma equipe pequena em relação aos outros times da primeira divisão nacional, até por ser relativamente nova (tem apenas 43 anos), a Chape já mostrou que não tem medo de ninguém. Enfrentou gigantes do futebol sul-americano e se superou sempre, jogando todas as partidas como se fossem as últimas, conquistando assim, a simpatia do Brasil inteiro. Uma história de superação como pouquíssimas. Em 2009, estava na série D, e amanhã, disputaria o título mais importante de sua história. Por essas e outras, ganhou o respeito do adversário, o Atlético Nacional de Medellín, da Colômbia, atual campeão da Libertadores da América, que desistiu do título da sul-americana. A comoção com a tragédia foi geral. Clubes de todas as partes do mundo demonstraram apoio e solidariedade. É uma daquelas coisas que acontecem e a gente fica sem entender. Para aqueles jogadores, o céu era o limite, e hoje ele foi alcançado. Não no sentido figurado, como gostaríamos, mas sim, e infelizmente, no sentido literal. 

Mas, mesmo de uma maneira diferente da planejada, a Chapecoense fez o que parecia impossível: uniu todos os clubes do futebol brasileiro, inclusive rivais, em uma corrente de solidariedade. Teve que acontecer uma catástrofe para que os times brasileiros entendessem a força da sua união. Além disso, nos mostrou que com coragem, determinação e união, se vai a qualquer lugar.

A partir de hoje, o futebol brasileiro não tem camisa, nem hino. Todas as torcidas se tornaram uma só. Todos nós vestimos o preto do luto e o verde da esperança de que esse gigante consiga se reerguer das cinzas dessa tragédia. Porque sim, a Chapecoense mostrou hoje que é um gigante.

Somos todos Associação Esportiva Chapecoense!

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Parem o campeonato brasileiro!



"Todo jogo que se preza, de alegria ou de dor, só vale se ele for honesto com seu jogador." Erasmo Carlos

É oficial: no campeonato do 7 a 1, o bastidor vale mais do que o futebol jogado no campo. Somente nesta semana, o Fluminense pediu ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva - STJD, a anulação da partida contra o Flamengo, em que o tricolor foi derrotado por 2 a 1, graças a um gol corretamente anulado do zagueiro Henrique, por suspeitas de influências externas na decisão do árbitro Sandro Meira Ricci, e o Figueirense entrou com pedido, no mesmo tribunal, de anulação da última partida contra o Palmeiras, por suspeitas de favorecimento da arbitragem ao clube paulista. Nada contra os clubes exigirem seus direitos caso se sintam prejudicados. Acho té que eles devem fazer isso. O problema é o contexto em que isso está acontecendo.
A derrota do Fluminense no clássico é incontestável. O presidente do Fluminense entrou com a ação por motivos meramente políticos (está em campanha eleitoral), mas isso está custando a imagem do clube perante patrocinadores e até internamente. O Figueirense até tem certa razão, mas nenhum dos dois deve ganhar as ações. Mas, para o bem do futebol brasileiro, é melhor que o campeonato em questão pare, até que sejam julgadas ambas as questões, para impedir que intrigas de bastidores e o rumo do campeonato influenciem no resultado destas. Principalmente sabendo que o famigerado presidente da CBF, Marco Pollo del Nero é torcedor declarado do Palmeiras e desafeto de Eduardo Bandeira de Melo, presidente do Flamengo, tendo inclusive, lutado contra a criação da Primeira Liga. Depois disso, que tudo o que tiver que ser decidido no campeonato o seja no campo. Pode parecer sonho, mas espero que um dia, a corrupção e o conservadorismo parem de afetar o futebol brasileiro. A Primeira Liga é um ótimo passo, mas com as desavenças entre os clubes cariocas e o boicote dos paulistas, fica difícil. A aprovação do auxílio eletrônico já está passando da hora. E Del Nero, Coronel Nunes e companhia limitada devem ser banidos definitivamente do futebol.
7 a 1 foi pouco.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Cinco coisas que o novo técnico da Seleção Brasileira precisa fazer.

Adenor Bacchi, o Tite, deve ser o novo técnico da Seleção Brasileira.

Neste dia 14 de junho, uma reunião na CBF deve definir a saída de Dunga e Gilmar Rinaldi do comando da seleção brasileira. Antes tarde do que nunca. Mas o novo técnico, seja quem for, terá nas mãos uma missão complicada. Além de recuperar o prestígio do time, abalado desde os 7 a 1 para a Alemanha, devera também resgatar o orgulho, tanto do povo em torcer e assistir aos jogos, quanto dos jogadores em vestir a camisa amarela. Para isso, ele deve fazer o seguinte:

1 -    Contar sempre com os melhores.


Um dos maiores problemas da seleção com Dunga era que muitos dos melhores jogadores brasileiros em suas posições não eram convocados. Ou por falhas, que acontecem com qualquer pessoa, ou por birra, caso do lateral Marcelo. A atual geração tem apenas um jogador nota 09, Neymar, e vários jogadores nota 07 ou 08. Cabe ao novo treinador formar um time com esses nomes e fazê-lo render o que podem. Se puderem jogar todos juntos, num esquema estilo Copa de 70, melhor ainda. Muitos dizem que a geração é ruim, mas uma geração com Willian, Phillipe Coutinho, Douglas Costa, Casemiro, Firmino, Lucas Moura, entre outros não pode ser chamada de ruim. Pode não ser tão boa quanto a geração de Ronaldinho, Kaká, Rivaldo, Romário e etc, mas não é ruim.

2 -    Incorporar a seleção olímpica à principal.


Dunga tentou fazer isso quando convocou 07 jogadores com idade olímpica para a Copa América Centenário. Perdeu 02 deles por contusão, é verdade, mas o fiasco (mais um) na competição mostra que a tentativa não deu certo. O novo técnico deve saber trabalhar muito bem essa questão. Apesar de eu achar que colocar um técnico agora seria desprestigiar o bom trabalho de Rogério Micale, também acho que ter o mesmo técnico nas duas seleções evita um possível conflito de idéias. Além disso, se os dois times treinarem da mesma forma, não será preciso aos mais jovens se adaptarem à seleção principal. Basta apenas um pouco de bom senso.

3 -    Enquadrar Neymar.


O maior craque brasileiro da atualidade tem deixado a desejar. Nos últimos jogos, esteve ausente na maioria deles. E quando joga, tem demonstrado uma insatisfação e um egoísmo preocupantes. Fora de campo, não tem dado exemplo. Pode ser que seus problemas na Espanha o estejam afetando? Não sei, mas o novo técnico tem que ter uma conversa séria com o camisa 10. Jogadores “marrentos” são necessários em qualquer time, até porque normalmente eles são os melhores jogadores. Mas tudo tem um limite. Quando começa a atrapalhar o desempenho em campo, é ora de maneirar. O novo técnico precisa fazer Neymar jogar o que joga no Barcelona e também fazer com que o coletivo funcione para ele. Só assim teremos um time minimamente competitivo.

4 -    Fazer os jogadores e a torcida entenderem o projeto de trabalho.


Muitos dos melhores times da atualidade são o que são por causa dos trabalhos de médio ou longo prazo de seus técnicos, um problema grave no Brasil. O Barcelona de Guardiola, o Manchester United de Alex Ferguson, a seleção Chilena de Jorge Sampaoli. Todos são trabalhos de longo prazo que só começaram a dar resultados recentemente. A Alemanha campeã do mundo em 2014 começou a ser formada em 2006. Portanto o novo técnico deve pensar, primeiramente, em se classificar para a Copa do Mundo da Rússia. Mas não deve ter como projeto vencê-la, e sim formar uma equipe que chegue em 2022 preparada para vencer. Resta saber se o novo nome terá respaldo para isso. A CBF diz que a prioridade é Tite, que vem sendo aclamado pelo povo. Talvez ele tenha esse respaldo.

5 - Observar melhor os jogadores.


Nossa safra de jogadores não é ruim. Mas é escassa, pelo menos em algumas posições. Isso se deve um pouco ao fato de que muitos jogadores brasileiros na Europa não são chamados para a seleção. Nosso time seria muito melhor se tivesse um volante como Thiago Motta, ou um atacante como Diego Costa. Mas o primeiro cansou de esperar e optou pela Itália, enquanto o segundo até chegou a ser convocado por Felipão, mas não sentiu firmeza e acabou optando pela Espanha. E são justamente as posições mais carentes da seleção hoje: a de centroavante e a de segundo volante. 
Um dado interessante a se levar em conta é que, na última edição da Liga dos Campeões da Europa, haviam 26 jogadores brasileiros entre os times que disputavam as oitavas de final do torneio. O suficiente para se formar pelo menos 2 times. Não seria o caso, então, de convocar alguns desses jogadores para fazer testes, até para que haja renovação em algumas posições? 
Quanto aos jogadores que atuam no futebol brasileiro, é preciso um diálogo com os clubes. Muitos deles não gostam de ceder seus jogadores para a seleção porque se prejudicam no campeonato brasileiro. Mas isso não é culpa da seleção e sim da CBF e de seu calendário mal planejado. Se, em 2017, o calendário prever pausa dos campeonatos durante as datas FIFA, já será de grande ajuda. 
Ao se fazer as convocações, deve-ser priorizar as grandes ligas europeias (Alemanha, Itália, Espanha e Inglaterra). Jogadores que sejam titulares de gigantes europeus devem ser titulares da seleção. Depois, junte jogadores de ligas de segundo escalão (mas, nada de China ou Oriente médio) e do futebol nacional. Se, até 2018, tivermos pelo menos 23 jogadores em condições, já teremos dado um grande passo.

Uma coisa é certa: com Dunga, não dá mais. Mas a culpa não é só dele. É preciso uma reformulação geral, em toda a estrutura do futebol brasileiro. A crise do futebol também é reflexo da crise política e por aí passa parte da solução.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Tchau, querida!

Dilma Rousseff. Fonte: surrealista.com.br

O governo de Dilma Rouseff acabou em 2014, quando a Presidente se reelegeu em uma eleição muito controversa. Nos dois anos de seu segundo mandato, a única promessa que conseguiu cumprir foi a feita durante a corrida eleitoral, de que "faria o diabo pra ganhar a eleição". Para isso, maquiou as contas do país e fabricou uma realidade totalmente oposta daquela vivida pelo país naquele momento, pagando um marqueteiro com dinheiro sujo.

Um filósofo disse uma vez que tudo aquilo que é sólido se desmancha no ar. O governo de Dilma e do PT se desmanchou porque se tornou insustentável. Tão insustentável que foi abandonado até pelos aliados, exceto pelos do próprio partido e pelos seus colegas pau-mandados do PCdoB. O escândalo da Petrobrás, os cortes nos programas sociais (que ela disse que os adversários fariam) só contribuíram para enterrar um governo cuja morte era iminente. 

Mas, apesar de a inevitável saída de Dilma ser o melhor para o país, é preciso ressaltar que muitos dos que a julgam também são tão ou mais criminosos do que ela. Michel Temer, ainda não tem crimes comprovados contra ele, mas existem acusações e indícios, e onde há fumaça, há fogo. Agora acusar o governo dele de ilegítimo é tão mentiroso quanto dizer que não há crime(s) de responsabilidade e que o processo de impeachment, mesmo previsto na constituição, é golpe, afinal, quem elegeu Dilma como presidente, também elegeu Temer como vice. Aliás, a essa altura do campeonato, qualquer atitude do governo soa como desespero, principalmente quando a sua equipe é tão incompetente quanto ela. A frase que melhor resume essa história foi dita pelo Senador Cristóvão Buarque (PPS): "Abrimos uma porta que era necessário que fosse aberta, mesmo sem saber pra onde ela vai nos levar".

Itamar Franco preparou a terra, FHC plantou a árvore e Lula colheu os frutos. Dilma, com sua incompetência, derrubou a árvore. E quem paga por isso é o povo. Michel Temer precisa ser o Itamar Franco da vez. E que os próximos presidentes que venham aprendam de uma vez a lição de que seu governo só vai até o fim se você conseguir governar sem provocar uma crise econômica.   

segunda-feira, 2 de maio de 2016

O pequeno grande Leicester City.

Leicester City FC: o time sensação da Europa. Fonte: Mirror.co.uk


O futebol realmente é uma caixinha de surpresas. Quem imaginaria que um pequeno time da Inglaterra, que há dois anos atrás estava na segunda divisão, e que no ano passado quase voltou pra lá, conquistaria um campeonato onde jogam times como Arsenal, Manchester United, Chelsea e Liverpool? É uma história pra roteirista de Hollywood nenhum botar defeito. Uma história tão incrível que até os próprios torcedores do time achavam que era um sonho. 

Pois o sonho se tornou realidade nesta segunda-feira, 03 de maio de 2016.


O feito do Leicester City é histórico. Talvez, o maior feito da história do futebol. Não só por ser um pequeno entre os grandes, mas porque mostra que, mesmo sem grandes investimentos, é possível formar um time campeão. Mesmo assim, o Leicester ainda é exceção. É a primeira equipe fora do eixo Manchester-Londres a conquistar a Premier League desde o Blackburn Rovers em 1995. Mas o Blackburn já havia conquistado boas campanhas nas temporadas anteriores, por isso, não dá pra comparar com o feito da equipe comandada pelo italiano Claudio Ranieri. A surpresa é ainda maior por se tratar de um campeonato de pontos corridos (esse tipo de coisa normalmente só acontece em campeonatos de mata-mata) e ainda por cima, daquele que é tido como o "melhor campeonato do mundo". Um time unido, que joga um futebol simples e eficiente.

Aliás, a equipe é cheia de histórias de superação. Que o diga o centroavante Vardy, que chegou a jogar na quinta divisão da Inglaterra. O meia Mahrez e o volante Kanté jogavam em divisões inferiores da França. O técnico, Cláudio Ranieri, vinha de uma péssima campanha com a seleção da Grécia nas eliminatórias para a Eurocopa. Hoje, Vardy é artilheiro da Premier League e titular da seleção da Inglaterra. Kanté teve suas primeiras convocações para a seleção da França e o argelino Mahrez foi eleito craque do campeonato, já sendo cobiçado por clubes maiores.

Mas, a maior lição que esse título nos passa é a de que, em um campeonato bem organizado, tudo pode acontecer. Mesmo no campeonato alemão, onde há quase um monopólio do Bayern de Munique, alguns times ainda conseguem chegar ao topo, como o Borussia Dortmund, o Wolfsburg, o Werder Bremem e o Stuttgart. Aqui no Brasil, esse tipo de surpresa só é possível em campeonatos estaduais e na Copa do Brasil. Em São Paulo, o Audax é o segundo pequeno a chegar na final do campeonato paulista em três anos (o primeiro foi o Ituano, campeão em 2014). Enquanto os clubes brasileiros não se organizarem e mandarem a CBF para o lugar que lhe é de direito, aquele que um dia foi o futebol mais bonito do mundo continuará em seus dias de inferno astral.

Na próxima temporada, os Foxes (ou as Raposas, como é chamado o time do Leicester) irão disputar o campeonato Europeu. E o mundo olhará novamente para esse pequeno time inglês com outros olhos. Antes, com surpresa e espanto. Agora, com respeito e admiração.

Parabéns ao Leicester City Football Club, campeão Inglês da temporada 2015-2016.

sábado, 16 de abril de 2016

Autocrítica

Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente, e pela mesma razão.” Eça de Queiroz

O próximo domingo, dia 17, será um dia histórico para o Brasil. Nesse dia, será votado no Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, o Impeachment da presidente Dilma Rouseff, acusada de crime de responsabilidade fiscal. E, embora muitos governistas critiquem o julgamento, acusando de “golpe”, eles mesmos reconhecem que uma vitória no domingo é praticamente impossível. Melhor que um impeachment invevitável seria se o TSE cassasse a chapa Dilma – Temer, já que, de acordo com o relatório do Tribunal de Contas da União, a chapa se elegeu com dinheiro desviado no escândalo da Petrobrás. Mas isso entregaria o país na mão de Eduardo Cunha, presidente da câmara e responsável pelo julgamento da presidente, o mesmo alvo da Operação Lava-jato e de ação no conselho de ética da câmara, que pode cassar seu mandato.

Esse é o ponto central da questão. Muitos que são contra o impeachment, argumentam que tudo não passa de um complô de Eduardo Cunha com o vice-presidente Michel Temer, para tomar o poder e que a maioria dos deputados que está julgando o relatório do impeachment tem problemas com a justiça. Por mais paranóico que isso soe, devemos fazer uma auto-crítica, para que isso não pareça hipocrisia. Esses caras tem culpa sim de serem corruptos ou cometerem qualquer tipo de crime. Mas parte da culpa também é nossa de elegê-los. Então, se políticos criminosos julgam crimes políticos, a culpa é do povo.

Por isso, temos que tirar o dia 17 como lição. O impeachment, inevitavelmente, vai acontecer. Há crime de responsabilidade comprovado pelo TCU e vários motivos e agravantes. E será melhor para o país, pelo menos econômicamente falando, que o PT deixe o poder depois de 14 anos, por mais tensão que haja depois. Teremos, daqui pra frente, que escolher melhor nossos candidatos, pesquisando além de suas propostas, seus antecedentes criminais, se houverem. Devemos também cobrar a eficácia da lei da ficha-limpa, que é uma vitória do povo. Mas, acima de tudo, devemos ter consciência de que os políticos trabalham para o povo, e recebem MUITO dinheiro pra isso. Nós damos poder a eles e nós podemos tirá-lo, se nossas expectativas não forem cumpridas. São os políticos que se submetem ao povo, e não o contrário. Quem manda no Brasil é o seu povo. Por isso o nome democracia.

Depois do impeachment, só nos resta ter esperança. O cenário que se seguirá promete ser tenebroso, mas a tendência, se tudo der certo, é melhorar.

domingo, 27 de março de 2016

A diferença entre a justiça e o merecimento.



Assistindo à final do The Voice Kids nesse domingo, ao saber do resultado, fiquei me perguntando: o que é levado em conta nesse tipo de programa? Não é a primeira vez que um reality show musical da Globo tem resultados questionáveis (sim, Superstar 2, estou falando de você).
Não que a vitória de Wagner Barreto não tenha sido merecida. Suas apresentações foram impecáveis e muito bem interpretadas, desde o começo do programa, além de o mesmo ter uma voz impressionante, o que, aliás, todos os concorrentes tinham. Ela só não foi, talvez, justa.
Analisando o programa desde a primeira tarde, temos que prestar atenção em alguns detalhes além da apresentação. Primeiro: não basta apenas a criança ser boa cantora. Ela precisa ter carisma. Isso, talvez, os três tivessem, mas haviam concorrentes, até entre os que ficaram para trás, que tinham tanto ou mais carisma que o vencedor. Segundo: a repercussão das apresentações. Rafa Gomes e Pérola Crepaldi foram MUITO mais comentadas na internet do que Wagner Barreto (pesquisem os Trending Topics do Twitter e vocês vão ver que eu tenho razão). Além disso, as outras duas concorrentes tiveram bem mais visualizações nos videos de suas apresentações do que o campeão. Rafa Gomes, ganhou, na minha opinião, a batalha mais épica da história do The Voice Brasil, contra Kaliny Rodrigues e Igor Silveira, cantando uma música do Balão Mágico. E, entre as três, talvez fosse a que tivesse mais expressividade. Só por isso, a vitória dela em uma final seria bem mais justa, mesmo ela tendo sido prejudicada no final, por conta de uma música mal escolhida. Pérola Crepaldi também mereceria por conta de ser, além de uma excelente cantora, uma pessoa que tem um modo de agir que alegra a qualquer um. E terceiro: se vocês notarem, a partir da terceira fase, o tal do "fofurômetro", criado após a batalha entre Rafa Gomes e os outros com a música "Superfantástico", era o fiel da balança na escolha do vencedor das batalhas. Era uma espécie de termômetro da torcida: quanto mais alto, significava mais gente gostando e votando. Então eu pergunto: por que, justamente na final, essa lógica não prevaleceu? Não quero insinuar nada, mas parece que, mais uma vez, o gênero musical foi levado em conta na escolha do vencedor. A Rede Globo, em todas as suas edições do The Voice Brasil, nunca conseguiu colocar na mídia NENHUM dos vencedores do programa. No máximo eles apareciam em um ou outro programa da emissora, tinham uma música inserida na trilha sonora de uma novela, e, depois de algum tempo, caíam novamente em um ostracismo que só não é completo porque existe a internet, que até aqui, era determinante. No Superstar, a vencedora da primeira edição, a Banda Malta, conseguiu entrar e permanecer nas paradas de sucesso, por mais que, no momento, esteja um pouco sumida. Mesmo sabendo disso, a Globo continuou indo contra a maré quando direcionou a segunda edição do programa para uma vitória da dupla Lucas e Orelha, mesmo sabendo que o público da banda concorrente era tão grande quanto, ou até maior, do que o deles. Claro que eles devem ter pensado: uma banda de rock contra uma dupla que canta pop e black music. Na primeira edição, já tivemos uma banda de rock como vencedora, então, vamos dar a vitória para os garotos. Ora, se a Rede Globo, como o maior veículo de comunicação desse país, é uma formadora de opinião, porque não deixar um artista vencer por merecimento e não porque ele tem mais chance de fazer sucesso do que o outro? A indústria musical da atualidade se tornou escrava do sucesso, mas esqueceu de se preocupar com a qualidade do produto. Por isso, o rock está no ostracismo, enquanto o sertanejo e o funk estão com tudo e mais um pouco. E com isso, eles podendo impor uma opinião, com um gênero que está "fora de moda", preferem continuar "seguindo a maré", porque é mais fácil. E assim, a qualidade da música brasileira vai caindo cada vez mais, e não vai surgir nenhum artista como os Mamonas Assassinas, por exemplo, pra provar que ir contra os padrões pode dar certo.
No momento, me sinto como o personagem de Marcelo Adnet na série "Tá no Ar, que interrompe a programação para fazer duras críticas à emissora. Essa manipulação não vai levar a lugar nenhum. O futuro só vai ser diferente se o presente mudar. É por essas e outras que eu digo: a vitória de Wagner Barreto na primeira edição do The Voice Kids foi merecida, mas injusta. E ele deve agradecer à Rede Globo por isso. Mais um artista sertanejo para nossos ouvidos aguentarem. Por isso o país está do jeito que está. Todo mundo aceita tudo calado, só critica o que lhe convêm. Paciência.