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| Manifestação em Manaus |
O Brasil vive um momento histórico. E preocupante. O que começou como uma simples passeata popular provocada por um aumento de 20 centavos na tarifa de transporte público em São Paulo tornou-se uma revolta nacional. Aproveitou-se tudo o que há de ruim neste país, que não é pouca coisa, e jogou-se tudo no meio da revolta. E no meio de tanta coisa, o povo se perde. Como diria Jack, o estripador, vamos por partes: Em primeiro lugar, já é uma grande alegria que as pessoas tenham, finalmente, descoberto a serventia das redes sociais, afinal de contas, foi graças ao Facebook que as manifestações puderam ser convocadas e organizadas. Em segundo lugar, temos que saber direito pelo que lutar nessas manifestações. Há causas muito nobres, como a diminuição da tarifa de transporte público, que foi alcançada, a diminuição da carga tributária, que é realmente altíssima, e o combate a corrupção, que é a grande praga política do Brasil. Mas não devemos nos deixar levar por politicagem. Aos que pedem impeachment da Dilma Rousseff, não se esqueçam que os sucessores dela são Michel Temer, José Sarney e Renan Calheiros. Vocês querem mesmo entregar o Brasil de bandeja pro PMDB? Aos que protestam contra a Copa das Confederações, vamos com calma. Tanto a Copa das Confederações quanto a Copa do Mundo serão boas para o país, tanto na questão do turismo, quanto na questão dos empregos, já que muitos serão gerados e na questão da infra-estrutura, por mais que esta última vá demorar mais tempo para acontecer. O que não podemos deixar é a FIFA querer mandar e desmandar no que acontece no Brasil. O que não podemos admitir é a gastança criminosa de dinheiro com estádios, muitos deles desnecessários, e que não serão muito utilizados, a não ser que haja um grande investimento local para melhorias do futebol. Em Recife, muitas escolas não tem merenda porque a verba destinada à educação foi aplicada na construção de um estádio na Capital, sendo que cada um dos grandes times da cidade possui um estádio. Em São Paulo, um caso mais grave: um estádio sendo construído do zero, com dinheiro público e uma isenção fiscal de dezenas de milhões de reais, bancada pelo BNDES e pela Caixa Econômica Federal. Neste quesito, o estádio que mais agradou à FIFA, foi a Arena do Grêmio, em Porto Alegre, construído com dinheiro do próprio Grêmio, que não estará na Copa do Mundo. Nas obras do Maracanã, o tombamento do seu entorno foi totalmente esquecido. Por isso, vale a pena protestar. Aos que protestam contra a tal da PEC 37, não entendo muito de direito pra me pronunciar à respeito, mas pelo que li sobre ela, sou contra. Para mim, é melhor protestar contra os políticos da bancada evangélicas que, cegados por sua religião, tentam enfiar goela abaixo da população medidas como a "Cura Gay" e a não menos nojenta "Bolsa Estupro". Aliás, não sei o que é pior no Brasil: política ou religião. As duas funcionam da mesma maneira: alguém ou algumas pessoas com um pensamento em comum se juntam e tentam convencer outras pessoas a se juntarem à sua ideologia. Quem não concorda é duramente criticado ou até combatido. Assim, são fundados vários partidos políticos e igrejas com idéias diferentes e que se odeiam entre si. É aí que mora o perigo. Se nos perdemos em nossas ideologias durante os protestos, corremos o risco de criarmos um novo Hitler ou Mussolini, que lideraram multidões sem rumo e depois as destruíram quando chegaram ao poder. Por isso eu parabenizo aqueles que combateram os partidos que tentaram se infiltrar no meio das manifestações, pois é principalmente por causa deles que acontecem casos e mais casos de vandalismo nos protestos. Aqui em Manaus não foi diferente. Contra isso, aliás, cabe um bom protesto.
Podemos protestar contra várias coisas. O baixo investimento em educação. A política econômica questionável, a má distribuição de renda, os erros na exploração das nossas riquezas naturais, como o petróleo do pre-sal e o nióbio. Só não me venham com essa de apartidarismo, pois isso vai contra a liberdade de expressão. Enfim, protestem à vontade, mas protestem direito e contra coisas que valham realmente a pena. Estamos juntos.
