sábado, 18 de julho de 2020

A demanda reprimida


Nesta semana o jornalista Luis Ernesto Lacombe estreou seu canal no YouTube. O bate-papo com o renomado jornalista Alexandre Garcia e o comentarista político Caio Coppola foi uma verdadeira aula de jornalismo, com pontos importantes sendo debatidos, como os inquéritos do STF, a CPMI das Fake News, os rumos do jornalismo, entre outros. A live contou com mais de 100 mil expectadores somente durante a exibição da live e já ultrapassou 1 milhão de visualizações.

Esse fato nos remete a uma realidade estranha. Como se sabe, a maioria da população brasileira é conservadora nos costumes. Mas não há TV's, rádios, jornais, universidades ou partidos políticos com conteúdo conservador, embora você encontre esporadicamente um ou outro jornalista cuja opinião fuja do senso comum da mídia, mesmo que a quantidade destes possa ser contada nos dedos de uma mão. O Brasil é a única democracia do mundo onde o povo não tem voz nem representação.

Isso ajuda a explicar a grande audiência que Lacombe, Alexandre Garcia, e outros grandes jornalistas que usam a internet para divulgar seu trabalho, como Guilherme Fiúza e Leda Nagle. A ausência de jornalistas desse tipo na velha imprensa faz com que a audiência da internet, onde estes se encontram em maior quantidade, seja cada vez maior. O Terça Livre, de Allan dos Santos, maior canal de mídia conservador do hemisfério sul, supera diuturnamente a audiência de canais da velha imprensa, como CNN, Record e até da Jovem Pan, onde há um número mais equilibrado de jornalistas de esquerda e direita. 

É uma questão de demanda reprimida: se a velha imprensa não dá aos seus espectadores o que eles desejam, eles buscam na internet. Mesmo com certas restrições, a internet e as redes sociais ainda são o espaço mais livre e democrático que existe para o exercício do jornalismo. E a internet tem tido cada vez mais audiência, e credibilidade, do que a velha imprensa. Para efeito de comparação, o canal do Terça Livre no YouTube possui mais de 1 milhão de inscritos, enquanto a CNN, por exemplo tem 872 mil. Talvez por isso haja tanta gente a favor da "regulação" das mídias digitais nos mesmos moldes da regulação da mídia que Lula tanto dizia e que constava no programa de Fernando Haddad durante a campanha eleitoral, pois com a internet, a informação, que seguia uma via de mão única, agora vai e volta, tirando o monopólio dos velhos meios de comunicação.

Nós sabemos a causa da total supressão da opinião conservadora dentro da grande imprensa. Ela se deve a ocupação das instituições culturais pela esquerda comunista que segue os ensinamentos de Antônio Gramsci e Stalin. Mas não há como mudar isso de dentro para fora. O próprio Lacombe foi demitido da Band porque era a única voz dissonante na emissora. Recentemente, uma editora do New York Times, Bari Weiss, pediu demissão do jornal alegando que o mesmo censurava opiniões conservadoras e centristas. Logo após isso, o jornal voltou a aparecer entre os assuntos mais comentados da internet por causa de uma entrevista com o youtuber brasileiro Felipe Neto (para bom entendedor...). Embora a imprensa alternativa que exista hoje já tenha um bom número de expectadores e uma credibilidade até maior do que a velha imprensa, ainda falta ocupar outros espaços onde a esquerda atua. É de se estranhar, sabendo que há uma demanda alta por um jornalismo que se contraponha ao atual, não haja ninguém disposto a investir nisso. Seria medo de patrulha? Se houvessem, por exemplo, empresários dispostos a patrocinar essa imprensa alternativa, criando por exemplo, novos canais de TV ou rádio, ou universidades, isso já proporcionaria uma boa competição, que poderia até ajudar no trabalho de recuperação da cultura que precisa ser feito no Brasil, mas, por outro lado, poderia acabar com a independência desses meios de comunicação. O fato é que há uma demanda muito grande por jornalistas de cunho conservador, ou pelo menos, "de direita" que não vem sendo suprida pela velha imprensa. A internet cumpre essa função, mas há regiões onde ela ainda não tem alcance. Se houvessem empresas fomentando isso, a coisa melhoraria.

Cada um assiste o que quer, é claro. Mas a velha imprensa precisa perceber que, enquanto continuar divulgando ideias que vão de encontro às da população brasileira e continuar menosprezando e perseguindo as mídias alternativas, perderá cada vez mais seu espaço. Jornalismo se faz com fatos, não com narrativas.


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