segunda-feira, 27 de abril de 2020

A novilíngua jornalística

George Orwell, no livro 1984, descreve uma sociedade totalmente denominada por um partido político totalitário, cujo líder, conhecido como "Grande Irmão" é quem determina o que acontece na vida da população, com quem a pessoa pode se casar, o que ela pode comer, e até no que ela deve acreditar e pensar. Isso é feito por meio do controle da linguagem, através do que o autor chamou de "novilíngua", que é um vocabulário de palavras criadas pelo próprio partido, com significado definido pelo mesmo, por mais que a palavra, na realidade, signifique outra coisa, e que vai ficando mais restrito com o passar do tempo.

Na mídia brasileira, assim como na política, é possível perceber exemplos claros do uso desse artifício. O uso do termo "fake news", por exemplo. Acredita-se, quase que em consenso, que o termo seja usado para definir uma notícia falsa. No jargão jornalístico, quando isso acontece, dizemos que determinado jornalista ou veículo deu uma "barrigada". Na realidade, o termo, popularizado pelo atual presidente dos Estados Unidos, se refere a uma informação que não é verdadeira, mas que foi criada com o intuito de enganar o público. É um efeito dominó, a divulgação de uma fake news leva a criação de uma narrativa, por meio do apelo emocional, o que é a definição de outro termo bastante popular na atualidade: "pós-verdade".

Vários termos sociopolíticos também são usados dessa forma. Na vida real, um adepto de um partido como o da história de Orwell seria um fascista de acordo com a definição de fascismo dada pelo próprio Benito Mussolini, "tudo no estado e nada fora dele". Mas o conceito popularizado pelo governo do PT foi o de que fascista é aquele que não gosta do estado, o que na realidade seria um liberal (apesar de que os "liberais" brasileiros, com algumas exceções, não estão muito distantes do fascismo). Assim como muita gente ainda acredita que o conceito de comunismo ainda é o marxista, sem levar em conta as diversas mudanças pelas quais o pensamento comunista passou com o tempo, por meio dos estudos críticos da Escola de Frankfurt. Mas o caso mais grave talvez seja o da palavra "democracia". Ao pé da letra, o termo significa "poder do povo", mas para essa gente, anti-democrático é toda e qualquer decisão política que fuja ao poder do establishment. Ou seja, a palavra significa o seu exato oposto. Exemplo mais claro de novilíngua do que esse não existe.

Por isso, só mesmo em um país como o Brasil para existir algo como uma "CPMI das Fake News". Como se investiga algo que você nem sabe o que é? Se tem algo que a armação exposta com o pedido de demissão do juiz Sérgio Moro do Ministério da Justiça ajudou a revelar, e que no fundo todo mundo que consegue somar 2 + 2 já sabia, é que o intuito dessa CPMI é pura e simplesmente criminalizar a mídia alternativa. Para essa gente, print de Whatsapp adulterado é notícia de primeira página, enquanto as várias reportagens investigativas feitas pela mídia da direita são "uma rede de fake news" divulgadas por um "gabinete do ódio" localizado dentro do Palácio do Planalto e comandado por simpatizantes do presidente Bolsonaro. É chamar o povo de palhaço!

É atribuída a Orwell a frase que diz que "jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é propaganda".Sendo dele ou não, a frase é verdadeira. Por isso, a chamada "mídia alternativa" tem feito tanto sucesso e por isso ela é tão achincalhada. Embora ela venha servido prioritariamente como serviço de contra-informação, seu serviço vem se mostrando cada vez mais essencial. Veja a diferença de tratamento que recebe na rua um repórter da TV Globo e um do canal Terça Livre. A população sabe quem diz a verdade. E é por isso que, quanto mais a grande mídia demonstra sua sanha totalitária, mais ela cai em descrédito.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

O despertar


Mais uma vez o povo foi às ruas neste domingo para se manifestar. Dessa vez, contra os atos tirânicos dos governadores e dos representantes das instituições, como Congresso Nacional (Rodrigo Maia), Senado (David Alcolumbre) e STF (Dias Toffoli). No dia do Exército, o povo foi para a frente dos quartéis pedir ajuda para as forças armadas, não para que elas fechem as instituições e tomem o poder, mas simplesmente para ajudar a um povo desarmado, que não tem como lutar contra seus inimigos. Claro que, sim, houve quem pedisse intervenção, mas não tem como dizer que isso não é democrático, pois se acontecesse, foi um pedido do povo, e é o povo quem deve ser livre para decidir seu próprio destino, o que não tem acontecido no Brasil. Mas o quanto um povo precisa estar desesperado para chegar nesse ponto? Isso diz muito sobre a qualidade dos políticos do país.

A presença do presidente Bolsonaro, que ninguém sabia que aconteceria, serviu para criar narrativas de que ele estaria planejando um golpe contra o congresso e o STF, e não o contrário, como foi denunciado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB), o mesmo que denunciou o mensalão, narrativa essa já desmentida pelo próprio presidente, em declaração dada nesta manhã em frente ao Palácio do Planalto, a um eleitor que sugeriu isso.

Desde 2013, o povo vem tomando consciência de seu poder perante a elite. Como dizia o falecido deputado Ulysses Guimarães, "a única coisa que mete medo em político é o povo na rua. Mas, se a liderança daqueles movimentos foi entregue em mãos erradas, o que acarretou somente na queda de Dilma Rousseff e não do sistema inteiro, agora essa massa tem em Bolsonaro alguém que lhe represente de verdade. E se o representante do povo não consegue governar de acordo com a vontade do povo por causa de pessoas que usam as instituições como bem entendem, então não há democracia, já que a vontade da maioria do povo não está prevalecendo. Assim, cabe ao povo lutar para que sua voz seja ouvida. Quem critica isso são pessoas com a mentalidade do "estado-babá", que acham que o povo não tem consciência do que quer e que o estado é quem deve guiar os rumos. Os mesmos que chamam Bolsonaro de fascista por querer diminuir o poder do estado e criticam o AI-5, mas apoiam as medidas autoritárias dos governadores estaduais, algumas delas dignas da Rússia comunista.

O fato é que estamos numa guerra, e estamos em vantagem por enquanto. Mas não podemos recuar, ou a coisa pode ficar muito pior. Não é uma pandemia nem um plano sinistro global que vai determinar os rumos do Brasil.

terça-feira, 7 de abril de 2020

A mídia anti-democrática.

Os problemas da mídia brasileira são grandes e profundos. Com os acontecimentos recentes no Brasil e no mundo, nunca ficou tão claro o modus operandi da imprensa e a quem ela serve. Mas esse é um problema que não é de agora.

Tudo começou com a sindicalização da categoria, iniciada por volta dos anos 60, que ajudou na realização da "marcha contra as instituições" pregada por Gramsci, e brilhantemente destrinchada por Gordon (2017), visto que o sindicato estava na mão dos comunistas, que passaram a ter nome e registro de todos os jornalistas na mão, e passaram a determinar quem iria trabalhar e aonde. Mas, se a utopia comunista prejudicou o jornalismo, foi outra utopia, a tecnicista, pregada pelos militares positivistas, que ajudou a prejudicar o ensino do jornalismo. Na época do regime militar, os mesmos militares que combateram com inegável sucesso as guerrilhas, fizeram vista grossa (o que lhes causou, anos depois, grande humilhação) para a ocupação esquerdista das universidades. E aí, há dois problemas: primeiro - com o excesso de universidades, a oferta de jornalistas formados é sempre maior do que a demanda existente, o que leva alguns jornalistas recém formados, ou ao desemprego, ou a trabalhar em outras atividades relacionadas à área da comunicação, como a publicidade, as relações, públicas, o marketing, entre outras; segundo - a queda na qualidade do ensino, provocada pela efetivação do método sócio-construtivista. Assim, você tem uma grande quantidade de jornalistas com péssima formação intelectual, e em sua maioria analfabetos funcionais, ocupando redações brasil a fora.

Outro grande problema é que a maioria dos órgãos da grande mídia se gaba de uma independência que na realidade não possui. E trabalha contra a existência de órgãos de imprensa verdadeiramente isentos e independentes. Se você possui conta no Twitter, veja as postagens da Vera Magalhães, do Felipe Moura Brasil e da Madeleine Lacsko e vejam se eu não tenho razão. E a coisa fica ainda mais grave quando percebemos que a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e as Agências de Fact-Checking também estão na mão da esquerda. Bem democrático, não?

Com a hegemonia canhota nas faculdades, passou-se a cometer um equívoco que ajuda a explicar o modo de pensar (e agir) de 99% da imprensa brasileira. Como ressalta Derosa (2017), o jornalismo tem como principal função informar, e essa informação tem um efeito transformador na sociedade, já que informação gera conhecimento. Porém, hoje em dia, prega-se o efeito como função. Ora, se o jornalismo deixa de ter a função de informar, então os fatos passam a não ter importância, podendo ser tratados de diversas formas, como explica Charaudeau (2010), e isso, acrescido da total supressão de qualquer opinião anticomunista nas universidades, acaba favorecendo a criação de narrativas, pós-verdades e fake news. É o que acontece com a imprensa brasileira: ela prefere selecionar os fatos e interpretá-los de acordo com a agenda que pretende propagar, o que quase sempre são ideias que vão de encontro aos valores da sociedade brasileira. E isso vem contribuindo cada vez mais para a perda de credibilidade da grande mídia e a ascensão da chamada mídia alternativa. As redes sociais também ajudaram a quebrar essa hegemonia, apesar de que o algoritmo delas, historicamente, mais tem prejudicado a imprensa "de direita" do que ajudado.
Mas aos poucos, o público vai acordando. Canais como a Rede Globo e a TV Bandeirantes, ambos submetidos à China, tem perdido audiência gradativamente, enquanto jornalistas de pensamento oposto, como Alexandre Garcia, Guilherme Fiúza e Augusto Nunes tem sua credibilidade e audiência cada vez maior. Vale destacar também o papel realizado pelo apresentador Sikêra Junior, da TV Acrítica, que tem seu programa exibido em rede nacional pela RedeTV, com audiência cada vez maior. Graças ao apresentador paraibano, as ideias conservadoras voltaram a ganhar espaço na grande mídia, e as hipocrisias dos progressistas foram expostas para todo o país. (Vejam os vídeos do Fernando Melo e do Kodhak para entenderem melhor.)

Analisando psicologicamente, o diagnóstico da grande mídia é de Síndrome de Estocolmo: ela exalta gente que quer tirar sua liberdade e é hostil àqueles que pregam a sua liberdade. Para ela, Lula, que falava abertamente em "regulação da mídia" e era amigo de pessoas como Hugo Chávez, Fidel Castro e Nestor Kirchner, gente com histórico de censura a órgãos de imprensa, é um santo e democrata, enquanto Bolsonaro, que nunca abriu a boca pra falar em censura ou fechamento de jornais, embora teça críticas contundentes ao comportamento da imprensa (a maioria com razão), é tido como um ditador que precisa ser derrubado. Enquanto esse tipo de pensamento não for banido, ou pelo menos revertido, da mídia, esta se afundará cada vez mais junto ao público. Por isso, como diria Dom Pedro II "a imprensa se combate com a imprensa."