sábado, 19 de outubro de 2013

Sony e a soberba.


Que a Sony sempre teve muita soberba, não é novidade nenhuma. Mas essa semana ela resolveu esfregar isso na cara do Brasil. Todos estavam ansiosos pela divulgação da data de lançamento e do preço do Playstation 4 no Brasil, e, quando todos pensavam que, pelo fato de o console custar apenas 400 dólares nos Estados Unidos, o custo dele não seria muito maior do que o dos concorrentes. Mas eis que vem a bomba! O console vai custar no Brasil a bagatela de R$4.000,00! 
Nessa hora eu pensei: eles não querem vender o console aqui. Sério, porque mesmo com toda a carga tributária que os videogames recebem (mais de 70% do preço), o console deveria custar no máximo uns R$2.500,00. E olha que a Sony já produz os seus consoles aqui em Manaus! A Microsoft, que faz a mesma coisa, consegue vender o Xbox One por R$2.200,00, que é um preço alto, mas não é absurdo. E a Nintendo, mesmo com os problemas que tem pra trazer os produtos pra cá, consegue vender o modelo mais caro do WiiU por R$1.500,00. R$4.000,00 não dá! Cadê o povo nas ruas numa hora dessas? É mais fácil viajar pros EUA, ou até pra Venezuela ou Argentina, onde o console vai custar quase metade do preço, do que comprar aqui.
A Sony tem que saber se por no seu lugar. Que os seus produtos são de boa qualidade, é inegável, mas ela não precisa fazer os brasileiros de idiota por causa disso. Eu sou totalmente a favor de se pagar um preço um pouco mais alto por um produto que valha o preço. Mas meu pensamento é uma exceção nesse país que desperdiça o potencial que possui. O custo de vida aqui é muito alto e a grande maioria da população prefere comprar o produto mais barato, sem se importar se a qualidade dele é boa. Por isso, o PS Vita da Sony perdeu feio a briga com o Nintendo 3DS (mas nesse caso foi na qualidade e no preço). Aliás, se a Sony é o que é hoje no ramo dos videogames, ela deve isso à Nintendo. Quem conhece a história do Nintendo 64 e do periférico de CD que a Sony lançaria para o Super Nintendo que acabou se tornando o primeiro Playstation sabe do que eu estou falando.
Nunca fui fã do Playstation desde que ele surgiu. Sempre fui Nintendista assumido, mas admito que gosto de algumas franquias da Microsoft. Tomei a decisão definitiva de comprar o WiiU depois que vi a notícia acima, pois não me importo muito com gráficos ou potencial ou com o que o console faz além de rodar jogos. Se estes forem de qualidade, já vale a pena pra mim. Por isso, acho que o povo, como forma de protesto, deveria boicotar o PS4 pra forçar a Sony a baixar o preço. Temos que mostrar quem somos, pois o Brasil é um dos países que mais joga videogame no mundo. Se quiserem comprar, comprem fora, já que viajar e comprar no exterior sai muito mais barato. Mas não comprem aqui, aí nós vamos ver o que a Sony realmente quer.

sábado, 12 de outubro de 2013

Dia das crianças.

Em certas horas, penso que deveria ser proibido crescer. A vida é tão mais complicada depois de adulto. Tenho 23 anos e ainda não me acostumei. Deve ser porque dizem, agora, que a adolescência vai até os 25. De qualquer modo, agora entendo como Peter Pan se sentia.
Não se faz mais infância como antigamente. Os tempos mudam e a cultura também. Em muitos casos, pra pior. Ou você não notou como anda a cultura do Brasil nos últimos anos. Chega a dar nojo! Começo a achar que Einstein estava certo quando disse que o ser humano, em alguma hora, ficaria dependente das tecnologias. Isso diminuiu muito as relações humanas. Por causa das tecnologias, as crianças deixaram de irem brincar na rua, por exemplo, com exceção daquelas de classes menos favorecidas economicamente falando. Não que elas não devam ser usadas, pois vieram para o bem. O que deve haver é conciliação. Eu, por exemplo, joguei muito videogame quando criança (tanto que sou apaixonado por eles até hoje), e nem por isso deixava de ir jogar futebol na rua, ou andar de bicicleta, ou algo do tipo. Aliás, naquele tempo, jogar videogame era bom justamente porque podíamos tanto jogar sozinhos quanto chamarmos nossos amigos pra jogar junto. Quantas amizades não começavam (ou terminavam) assim?
E o que dizer da música? Dos programas de TV? Dos desenhos? Ah, os desenhos. Qual criança dos anos 90 não voltava correndo do colégio para casa, para assistir aos Cavaleiros do Zodíaco? Ou ligava no programa da Xuxa pra assistir ao He-Man e ouvir ao Trem da Alegria, que praticamente morava no programa. Mais tarde, no SBT, outros ótimos desenhos, como O Fantástico Mundo de Bobby, Os Ursinhos Carinhosos (que era meio frufru, mas naquela época ninguém ligava pra isso), Rugrats, Doug e mais tarde, Dragon Ball. Sem citar outros vários, como A Caverna do Dragão e alguns mais antigos que ainda passavam nesse tempo, como Scooby Doo, Pica Pau, Tom e Jerry, Pernalonga, Popeye e etc. Ainda tinham os seriados japoneses, como Jaspion, Ultramen e Power Rangers. Depois, vieram os tempos áureos do Cartoon Network, que exibia Du, Dudu e Edu, As Meninas Super Poderosas, O Laboratório de Dexter, Johnny Bravo e A Vaca e o Frango, além de animes, como Sakura Card Captors, Sailor Moon, Samurai X e Pokémon, que nesse tempo ainda era febre. Isso sim eram bons desenhos. Hoje, vemos a programação das TV's sem espaço para as crianças, tanto na aberta quanto na fechada, com raríssimas exceções.
Quando se fala na música, a mudança é mais gritante. Não falo nem da música infantil, porque o auge dessa foi nos anos 80, mas, generalizando, a qualidade piorou muito. Até as músicas mais escrachadas daquela época, a maioria resumida em axé e pagode, eram boas se comparadas com as de hoje em dia, e já eram espancadas pela mídia que, eu como jornalista reconheço, nunca soube de nada. Estão aí os Mamonas Assassinas que não me deixam mentir. Hoje em dia, por causa da internet, qualquer um que saiba cantar ou tocar um instrumento e que faça uma música de qualidade duvidosa com um refrão grudento faz sucesso. As coisas ficaram fáceis, e por isso banais, demais.
Acho que vou atrás das Esferas do Dragão e vou fazer um pedido: quero os anos 90, e minha infância, de volta.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Xeque-mate!

Marina Silva se filia ao PSB e apoia Eduardo Campos (Fonte: Correio Brasiliense).

Uma jogada de mestre. Assim podemos definir a decisão de Marina Silva em se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) para disputar as eleições presidenciais de 2014 ao lado do candidato do partido, Eduardo Campos, governador do estado de Pernambuco. 
As eleições no Brasil são um jogo de xadrez, onde os participantes que estão vencendo jogam sujo em busca da vitória. A prova disso foi a atitude desesperada do Partido dos Trabalhadores (PT) em impedir a criação da Rede Sustentabilidade, partido que seria liderado por Marina Silva e que teria apoio maciço da oposição e do povo, ao anular assinaturas favoráveis à criação do mesmo. Enquanto os outros dois partidos, o Solidariedade e o Partido Republicano da Ordem Social (PROS), criados única e exclusivamente para favorecer a infidelidade partidária, tiveram sua criação efetivada sem problemas.
O cenário das eleições, que antes estava obscuro, agora começa a clarear. Enquanto o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ainda briga internamente para definir a candidatura entre Aécio Neves e José Serra (com mais chances para o primeiro), o PSB dá uma aula e sai na frente com a aliança Eduardo-Marina, que provavelmente será vice na chapa.
O que devemos analisar aqui é o seguinte: se Marina Silva tivesse desistido das eleições quando teve a criação de seu partido negada, Dilma Rouseff estaria reeleita antes das eleições acontecerem. O PT vetou a criação do partido porque sabia disso. Seria mais fácil disputar contra o PSDB, cachorro que late, mais não morde. Com a filiação de Marina ao PSB, podemos esperar uma eleição mais justa e disputada. Claro que, na política, tudo se baseia em troca de favores. Marina apoia Eduardo na oposição à Dilma, e, em troca, ganha apoio (já declarado, inclusive) para a criação de seu partido, a Rede Sustentabilidade. Se em 2010 foi Marina que conseguiu impedir a eleição de Dilma no primeiro turno, dessa vez, para o bem da democracia, ela tem chances de fazer uma disputa de igual para igual. Pela primeira vez em 12 anos, temos uma oposição de verdade. A ditadura do PT está em xeque. Em 2014, habemus eleição!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

E viva o politicamente incorreto!

Tom e Jerry: Cartoon Network vai retirar o desenho do ar.

Nunca gostei dessa história de "politicamente correto". Acho falso moralismo. Fora a forma como isso destrói o humor. Mas, infelizmente, nós vivemos num país onde a política é levada na brincadeira, e o humor é levado a sério. Wanessa Camargo que o diga. Na boa? Tem muita coisa mais importante pra se preocupar do que com o fato de um desenho animado (muito legal, por sinal) deve ser considerado mal exemplo ou não! Pra quem ainda não sabe, o Cartoon Network vai parar de exibir o desenho animado "Tom e Jerry" por que o considera politicamente incorreto e um mal exemplo às crianças. Só agora eles fazem isso, depois de anos e anos exibindo o desenho e com boa audiência? Se fosse por isso, os pais deviam proibir as crianças de assistirem ao Pica-pau, que tem mais "violência" ainda! O pior é quando culpam os jogos, mas nem vou falar nisso, pois já toquei nesse assunto 500 vezes.
Reflitam vocês, pais, o que é melhor pro seu filho? Assistir a um desenho animado ou assistir aos programas cada vez mais imorais (em qualquer sentido) que passam na televisão? Ouvir uma música com uma letra boa ou um funk, forró ou algo do tipo, com letras cada vez mais escrachadas? Quando eu era criança, meu desenho favorito era "Os Cavaleiros do Zodíaco", que é um desenho violento, e nem por isso eu me tornei uma pessoa ruim! E olha que os desenhos japoneses tem muita coisa para os odiadores odiarem. Principalmente os crentes.
Sobre a questão do racismo, acho que cabe interpretação. A palavra ou frase só é racista dependendo da forma como ela é empregada. Li uma frase uma vez que dizia: "Eu não sou racista, porque racismo é crime e crime é coisa de preto!" Além de engraçada, trata-se de uma grande verdade, pois essa frase resume de forma crítica o pensamento de muitas pessoas que são racistas, mas negam até a morte. Mas é politicamente incorreta, e tem gente que não vai gostar de ouvi-la. A questão é que uma piada ou desenho animado ou programa que é bom por ser politicamente incorreto, poderia não ser bom se fosse politicamente correto. O Cartoon Network esta aí pra provar. Aquele que já foi o maior canal de desenhos animados da televisão brasileira, santuário dos animes e desenhos antigos (e até dos adultos, quando exibia o "Adult Swim"), hoje vive no ostracismo, com desenhos animados de baixa qualidade, comparados aos que eram exibidos antes (um ou outro se salva). Mas isso não é exclusividade do Cartoon. O falecido Animax, o Boomerang e, ouso dizer, até a própria Disney sofrem do mesmo mal hoje. Querem agradar a todos, e no final, acabam não agradando ninguém. Mas as pessoas preferem perder tempo pensando se o Hortelino Trocaletras, ao usar uma espingarda pra caçar o Pernalonga, faz ou não apologia ao uso de armas, à caça e aos maus-tratos aos animais. O pior de tudo são os babacas do PETA criticando o jogo Pokémon pelo mesmo motivo.
Francamente? Senso crítico e bom senso são as grandes armas do ser humano e não fazem mal a ninguém. Usem isso sempre, por favor!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A crise do rock nacional.



Em 2013, presenciamos o triste fim do grupo Charlie Brown Jr., uma das maiores bandas de rock do Brasil. Em março, o vocalista Chorão foi encontrado morto, vítima de overdose de cocaína. Na época, fiquei tão emocionado que só consegui escrever sobre o assunto 5 dias depois. E eis que, 6 meses depois, me vem a sensação de deja vú com a morte do Champignon, baixista da antiga banda, que se tornou A Banca, onde ele virou vocalista. Morreu jovem, com 35 anos, deixando uma filha, uma esposa grávida e milhares de fãs. Talvez não tenha aguentado a pressão que era substituir o amigo, compositor lendário. Tentou seguir em frente, tal qual Dave Grohl, ex baterista do Nirvana, quando fundou o Foo Fighters. Não tentava ser igual a Chorão nos vocais. Nem poderia, pois, apesar de conduzir bem os shows, ele não tinha a mesma presença de palco. Se contentava apenas em fazer algo parecido, e não negava isso. Mesmo assim, alguns fãs de Chorão o detestavam, principalmente depois da última briga dos dois, em cima do palco. Isso pode ter sido um fatos. Dois grandes músicos derrotados pela depressão. Uma banda como o Charlie Brown não merecia um fim assim. Agora só restam as lembranças.
A história do Champignon se torna ainda mais trágica quando lembramos a história de uma de suas antigas bandas, a 9 Mil Anjos. Além de Champignon, o guitarrista Peu, ex-Pitty, também cometeu suicídio, pelo mesmo motivo. E o baterista Júnior Lima, irmão da cantora Sandy, com quem formou uma dupla, recentemente passou por internação.
Acho que o rock no Brasil corre sério risco de extinção. As bandas que ainda conseguem manter o gênero na ativa são ofuscadas pela música comercial. E pra piorar, os caras bons morrem. Ainda bem que consegui assistir ao show da Banca em Manaus. Por incrível que pareça, a internet fez mal para a música. Hoje em dia é muito fácil fazer sucesso. Qualquer um pode fazer uma música mequetrefe e jogar na internet que vai ter quem ouça e "curta". E nós temos que aguentar. Se for só uma crise, ela está muito duradoura. 
Outro problema é ver que pessoas que pareciam ter a mente forte, até mesmo pelas mensagens que passavam, acabarem dessa maneira. Diferentemente de Chorão, Champs não usava drogas. Era bem mais alegre e tinha personalidade bem menos agressiva que a do amigo. Rezo pra que não aconteça o mesmo com as bandas que ainda restam, para podermos ter esperança numa música melhor um dia. Tenho saudade dos anos 80 mesmo sem ter nascido, e dos anos 90, de bandas como os saudosos Mamonas Assassinas. Espero um dia ver bandas como os Mamonas e o Charlie Brown Jr. novamente.
Descanse em paz, Champignon.      

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Polícia para quem precisa.



Nas últimas semanas, passei a crer que a polícia militar parou no tempo. Mais precisamente em algum ano da ditadura militar. E concordo com o jornalista Ricardo Noblat que diz mais ou menos a mesma coisa a respeito dos jornais no livro "A Arte de Fazer um Jornal Diário", a Bíblia das Faculdades de Jornalismo. Porque não é possível que em pleno século XXI, com a internet acessível em qualquer lugar (há controvérsias, é verdade), alguém ainda acredite piamente no que a televisão diz sem dar uma pesquisada antes. É princípio jornalístico, inclusive, buscar uma segunda opinião. Mas parece que a burrice e a passividade imperam. Os Titãs tinham razão...
Vejamos como exemplo os últimos casos de repercussão no Brasil. O do pedreiro Amarildo, desaparecido no Rio de Janeiro e o do garoto Marcelo Eduardo Pesseghini, acusado de matar toda a sua família de policiais. Em ambos os casos, há o envolvimento de policiais militares, que para tentarem se livrar das acusações, acusam inocentes. A mídia, de alguma forma, contribui com essa farsa. Apenas preste atenção na cobertura que as grandes redes de televisão dão aos casos. Depois compare-as com a cobertura feita pela internet. A diferença é gritante. No caso do pedreiro Amarildo, até percebeu-se que o caso estava estranho demais e logo a mídia passou a ser menos parcial, mas no caso da família Pesseghini, a culpa já foi presumida antes do julgamento. Se não fossem as discrepâncias evidentes no caso, ficaria por isso mesmo. Voltando alguns anos no tempo, vejamos o caso do casal Nardoni. Todas as evidências apontavam para a culpa do casal e a mídia caía em cima dos dois. Eis que, 5 anos depois, um laudo feito nos Estados Unidos pode inocentar o casal. Na época, já houve quem acreditasse na inocência do casal, apesar de que isso era muito menos provável que nos dois casos anteriores e agora, com essa reviravolta, devemos questionar melhor até que ponto o que a mídia diz é verdade.
Mas voltando ao assunto principal, é evidente que a polícia militar sofre de um incapacidade crônica demonstrada desde o tempo da ditadura. Claro que não devemos generalizar. Devemos ver também as coisas boas, como a pacificação das favelas do Rio de Janeiro, por exemplo. Mas se envolver em casos como esses e tentar se eximir da culpa ocultando a verdade e acusando inocentes não é digno. Nem aceitar tudo sem perguntar nada. Como diz o provérbio "aquele que pergunta é um tolo por 5 minutos, mas aquele que não pergunta permanece tolo para sempre". O povo está acostumado a acusar inocentes e inocentar culpados desde o tempo de Jesus...
Claro que há muito mais coisa por trás. A polícia é mal paga, mal distribuída, o povo não colabora e a corrupção impera. Aliás, a corrupção é um grande câncer que afeta o país. E a quimioterapia vai demorar pra dar resultado.
Agora, se tem alguém que é completamente inocente na história da família de policiais são os videogames. Sempre acusados nesse tipo de caso. Pra quem não sabe, não há nenhum estudo que comprove a influência de jogos eletrônicos violentos nesse tipo de ação. Aliás, muito pelo contrário, há vários estudos que comprovam a eficácia dos games em tratamento de doenças e coisas do tipo. Pesquisem sobre os autores Steven Johnson, Jane McGonigal e Lynn Alves e verão do que eu estou falando. Joguei muito Fifa Soccer e estou longe de ser um craque do futebol. Se serve pra um, serve pra outro. O que realmente influencia é o ambiente em que a pessoa vive, o que também não justifica por a culpa no garoto. Aliás, num país realmente sério, um jogo que tem classificação etária de 16 anos não chegaria às mãos de um garoto de 13.
O que me faz realmente ter certeza de que o garoto é inocente é o fato de que, antes de morrer, a família Pesseghini havia denunciado a participação de alguns PM's em roubos a caixas eletrônicos. Quer caso mais clássico de vingança e queima de arquivo do que esse? Sem falar de outras coisas estranhas, como a mudança repentina de opinião de testemunhas, por exemplo. Claro que pimenta no olho dos outros é refresco, mas quem não deve, não teme.  
Já que finalmente lembramos do nosso direito de manifestação, podíamos ir às ruas pedir mais seriedade nos nossos órgãos de segurança. Os primeiros protestos sobre o caso não deram certo, mas se quisermos que a verdade venha à tona um dia, devemos pressionar a polícia como fizemos com os políticos. Mas temo, sinceramente, que nada aconteça.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Papa é Pop.

Papa Francisco e Bento XVI
Escrevo isto hoje pra fazer justiça. Apesar de tudo o que eu penso sobre religião, igreja e afins, devo deixar aqui meus elogios ao Papa Francisco, que durante sua visita ao Brasil, na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, mostrou que é muito sensato e tem bastante conhecimento sobre o que fala. Era de um líder assim que a Igreja Católica Apostólica Romana estava precisando, depois do boom da "modinha" evangélica, para recuperar a moral e o respeito que havia perdido. Chico provou que o bom senso na interpretação das leis divinas (cujo livro sagrado deixa margem livre pra várias interpretações, diga-se de passagem) é mais eficiente para a religião do que o radicalismo. Tanto que recebeu elogios até mesmo dos evangélicos, que, no Brasil, vem se mostrando cada vez mais incapazes. Aliás, a Igreja Evangélica no Brasil deveria ser objeto de estudo. A Igreja Protestante foi fundada durante a Idade Média, por Martinho Lutero, para combater as falcatruas da Igreja Católica e da Inquisição. Mas, se formos analisar bem a fundo, a Igreja Evangélica no Brasil faz as mesmas coisas que combatia na Igreja Católica: interfere na Política do país (ou pelo menos tenta), manipula o conhecimento, enriquece de forma ilícita, se aproveitando dos fiéis, que mesmo com tudo isso, aumentam de número cada vez mais, e não aceitam críticas à sua crença. Enquanto e por causa disso, vem surgindo cada vez mais Malafaias, Macedos e Felicianos da vida. A Religião não pode mais ser tratada como assunto tabu, inquestionável. Enquanto isso continuar acontecendo, haverão guerras no Oriente Médio, provocadas por grupos religiosos radicais e por ditadores que se aproveitam do povo. É como dizia Karl Marx: "A religião é o ópio do povo".

Acho que a Igreja Evangélica devia, a partir de agora, tomar a Católica como exemplo, por mais irônico que isso pareça. A missão da dupla dinâmica Chico e Bento, que hoje comanda o Vaticano, é árdua, difícil, mas bem possível. É só vermos as diferenças. O papa católico prega o amor ao próximo acima de tudo, coisa que está lá na Escritura Sagrada dos Dez Mandamentos e que os evangélicos não fazem, aliás, muito pelo contrário. São os principais responsáveis pela intolerância religiosa que assola o planeta, chegando a absurdos como a declaração de Marco Feliciano de que o Brasil é um país "laico-cristão" e o projeto que dá poder às igrejas de entrar com Ações Diretas de Insconstitucionalidade. O papa católico se mostra simples e humilde, enquanto os evangélicos vêm fazendo questão de enriquecer cada vez mais abrindo uma igreja em cada esquina e manipulando seus fiéis, só faltando cobrar o dízimo no Cartão e jogar o nome do fiel no SERASA. O papa católico prega respeito aos homossexuais, enquanto os evangélicos, além de criticá-los arduamente, ainda tentam combatê-los, com projetos como a "Cura Gay". Claro que os homossexuais não podem se achar intocáveis, como vem acontecendo ultimamente.

A única coisa que ainda devemos questionar na Igreja Católica são os escândalos de pedofilia, que esta tenta de todas as maneiras, abafar. O principal problema, na minha opinião, é o celibato. Isso nos leva à principal missão do Pontífice Argentino: a de modernizar uma igreja reacionária. Acredito que ele seja a pessoa certa pra isso, pois já vem obtendo resultados. Conseguiu o apoio até mesmo dos homossexuais, com uma declaração digna de uma salva de palmas.

Brincadeiras à parte, Francisco é um caso raro de Argentino humilde e isso pode ajudá-lo a encarar a missão árdua que terá pela frente. Bento XVI renunciou como forma de protesto, contra tudo o que ele não concordava e que estava acontecendo na "casa de Deus", mas Francisco veio para bater de frente com esses problemas, tal qual Lutero na época da inquisição.

A verdade é que o mundo só ficará em paz quando um souber tolerar a opinião do outro. Quando o certo for obrigatório, e não exceção. Principalmente em se tratando de religião. Tomara que Francisco consiga pelo menos melhorar bastante essa questão.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Revolução?

Manifestação em Manaus

O Brasil vive um momento histórico. E preocupante. O que começou como uma simples passeata popular provocada por um aumento de 20 centavos na tarifa de transporte público em São Paulo tornou-se uma revolta nacional. Aproveitou-se tudo o que há de ruim neste país, que não é pouca coisa, e jogou-se tudo no meio da revolta. E no meio de tanta coisa, o povo se perde. Como diria Jack, o estripador, vamos por partes: Em primeiro lugar, já é uma grande alegria que as pessoas tenham, finalmente, descoberto a serventia das redes sociais, afinal de contas, foi graças ao Facebook que as manifestações puderam ser convocadas e organizadas. Em segundo lugar, temos que saber direito pelo que lutar nessas manifestações. Há causas muito nobres, como a diminuição da tarifa de transporte público, que foi alcançada, a diminuição da carga tributária, que é realmente altíssima, e o combate a corrupção, que é a grande praga política do Brasil. Mas não devemos nos deixar levar por politicagem. Aos que pedem impeachment da Dilma Rousseff, não se esqueçam que os sucessores dela são Michel Temer, José Sarney e Renan Calheiros. Vocês querem mesmo entregar o Brasil de bandeja pro PMDB? Aos que protestam contra a Copa das Confederações, vamos com calma. Tanto a Copa das Confederações quanto a Copa do Mundo serão boas para o país, tanto na questão do turismo, quanto na questão dos empregos, já que muitos serão gerados e na questão da infra-estrutura, por mais que esta última vá demorar mais tempo para acontecer. O que não podemos deixar é a FIFA querer mandar e desmandar no que acontece no Brasil. O que não podemos admitir é a gastança criminosa de dinheiro com estádios, muitos deles desnecessários, e que não serão muito utilizados, a não ser que haja um grande investimento local para melhorias do futebol. Em Recife, muitas escolas não tem merenda porque a verba destinada à educação foi aplicada na construção de um estádio na Capital, sendo que cada um dos grandes times da cidade possui um estádio. Em São Paulo, um caso mais grave: um estádio sendo construído do zero, com dinheiro público e uma isenção fiscal de dezenas de milhões de reais, bancada pelo BNDES e pela Caixa Econômica Federal. Neste quesito, o estádio que mais agradou à FIFA, foi a Arena do Grêmio, em Porto Alegre, construído com dinheiro do próprio Grêmio, que não estará na Copa do Mundo. Nas obras do Maracanã, o tombamento do seu entorno foi totalmente esquecido. Por isso, vale a pena protestar. Aos que protestam contra a tal da PEC 37, não entendo muito de direito pra me pronunciar à respeito, mas pelo que li sobre ela, sou contra. Para mim, é melhor protestar contra os políticos da bancada evangélicas que, cegados por sua religião, tentam enfiar goela abaixo da população medidas como a "Cura Gay" e a não menos nojenta "Bolsa Estupro". Aliás, não sei o que é pior no Brasil: política ou religião. As duas funcionam da mesma maneira: alguém ou algumas pessoas com um pensamento em comum se juntam e tentam convencer outras pessoas a se juntarem à sua ideologia. Quem não concorda é duramente criticado ou até combatido. Assim, são fundados vários partidos políticos e igrejas com idéias diferentes e que se odeiam entre si. É aí que mora o perigo. Se nos perdemos em nossas ideologias durante os protestos, corremos o risco de criarmos um novo Hitler ou Mussolini, que lideraram multidões sem rumo e depois as destruíram quando chegaram ao poder. Por isso eu parabenizo aqueles que combateram os partidos que tentaram se infiltrar no meio das manifestações, pois é principalmente por causa deles que acontecem casos e mais casos de vandalismo nos protestos. Aqui em Manaus não foi diferente. Contra isso, aliás, cabe um bom protesto. 
Podemos protestar contra várias coisas. O baixo investimento em educação. A política econômica questionável, a má distribuição de renda, os erros na exploração das nossas riquezas naturais, como o petróleo do pre-sal e o nióbio. Só não me venham com essa de apartidarismo, pois isso vai contra a liberdade de expressão. Enfim, protestem à vontade, mas protestem direito e contra coisas que valham realmente a pena. Estamos juntos.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Seleção do Brasil

Sai hoje a convocação dos jogadores que irão defender a Seleção Brasileira de futebol na Copa das Confederações. Na lista de Luis Felipe Scolari, estão nomes como Júlio César, Daniel Alves, Marcelo, Ramires e Neymar, garantidos na competição.

Devem ser convocados apenas jogadores que estão entre os já convocados por Felipão anteriormente. Alguns jogadores que tinham chances com Mano Menezes devem ficar de fora.

No gol, Júlio César, rebaixado na Inglaterra pelo QPR, deve ser o titular. As duas vagas restantes serão disputadas entre Diego Alves, do Valência, Jefferson, do Botafogo e Diego Cavalieri, do Fluminense, com vantagem para os dois primeiros no quesito da experiência. Na zaga, David Luiz, do Chelsea, Thiago Silva, do PSG, Dante, do Bayern de Munique e Réver, do Atlético-MG, estão garantidos. Nas laterais, Dani Alves, do Barcelona e Marcelo, do Real Madrid, são os titulares, mas apenas o segundo tem um reserva garantido: Filipe Luis, do Atlético de Madrid. Para a lateral direita, o reserva deve ser Jean, do Fluminense, que é volante de origem, mas já atuou nessa função quando atuava pelo São Paulo. Adriano Correia, do Barcelona, corre por fora, e só deve ser convocado se um dos reservas se machucar. O mesmo vale para André Santos, do Grêmio.

O meio campo deve ser a opção mais difícil para Felipão. O técnico faz questão de contar com um volante de marcação para proteger a defesa. Este deve ser Fernando, do Grêmio. Seu reserva deve ser Luiz Gustavo, do Bayern de Munique. Para a vaga de segundo volante, Paulinho, do Corinthians, e Ramires, do Chelsea, estão garantidos. O armador será Oscar do Chelsea, e a briga pela outra vaga do setor, entre Kaká, do Real Madrid e Ronaldinho, do Atlético Mineiro, foi vencida pelo meia do Galo, o melhor time brasileiro na atualidade. Jádson, do São Paulo, e Hernanes, da Lazio, brigam pela última vaga no meio. Para que os dois sejam convocados, Felipão terá que abrir mão de um dos jogadores do ataque.

Na frente, Fred, do Fluminense, e Neymar, do Santos, farão a dupla titular. Para a ponta direita temos Lucas, do PSG e Hulk, do Zenit, garantidos. Sobrariam as vagas de reserva de centro avante e ponta esquerda. Se convocar Alexandre Pato, Felipão matará dois coelhos com uma só cajadada. Jogadores como Luis Fabiano, do São Paulo, Diego Costa, do Atlético de Madri e Leandro Damião, do Internacional, tem poucas chances.

Eis abaixo a seleção que eu convocaria, se fosse o técnico, nas circunstâncias atuais:


A convocação definitiva será divulgada hoje, às 11:40h (horário de Brasília). O Brasil está no grupo 01, ao lado de México, Itália e Japão.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Obrigado, Chorão.


"Sempre sonhei em fazer um som que fosse a cara, e então poder chegar em algum lugar, ver a garota sorrir, a galera pular, a multidão a me chamar..."

Quarta-feira, 06 de março de 2013. Estava dirigindo para o trabalho, quando escuto no rádio uma música do Charlie Brown Jr. Não lembro qual era, mas lembro da minha reação logo após o fim da música, quando o locutor anunciou a morte do vocalista, Chorão. Fiquei tão chocado que, a princípio, não acreditei. Precisava de uma segunda opinião. Assim que cheguei ao trabalho, tratei de tentar confirmar aquela informação. Assim que li a manchete no portal G1, vi que, infelizmente era verdade.
Pra quem é fã, é muito difícil perder um ídolo. Eu não ficava tão triste desde o acidente dos Mamonas Assassinas, há 17 anos. Fiquei 3 dias mal. Chorei. Guardei meus CD's e DVD's da banda em um local separado, pois não aguentaria ouvir enquanto não digerisse a notícia. Somente hoje consegui escrever essa postagem, apesar de já estar com a ideia há alguns dias.
O mais duro é saber que, sem o Chorão, provavelmente o Charlie Brown Jr. também deixará de existir. Ele era a alma da banda, sem trocadilhos maldosos. Champignon, o baixista, poderia tentar assumir os vocais para dar continuidade ao projeto, mas acho que os componentes deveriam mudar o nome da banda, ou algo assim, para que isso desse certo. Não seria a mesma coisa que aconteceu com os Raimundos, que passaram por um período de ostracismo com a saída do Rodolfo até ressurgirem recentemente, com o guitarrista Digão assumindo os microfones, ou do Barão Vermelho, em que o guitarrista Roberto Frejat (re)assumiu a lacuna dos vocais deixada por Cazuza, depois de sua morte.
Por falar em Cazuza, acho que cabe a comparação.Muitas pessoas que nasceram em meados dos anos 70 e 80 perderam ídolos na sua juventude, como Raul Seixas, Cazuza e mais tarde, o não menos genial, Renato Russo. Para nós, jovens de 20 e poucos anos, nascidos nos anos 90, que crescemos ouvindo bandas como o Charlie Brown Jr, a perda é no mesmo nível.
Chorão era um cara que, com apenas uma frase, te fazia refletir sobre sua vida inteira. Suas letras eram poéticas e sentimentais, mais muito bem aliadas a um rock and roll da melhor qualidade. E ele conseguia fazer isso mesmo tendo estudado apenas até a 7ª série. Músicas como Proibida pra mim, Te levar, Zóio de Lula, Só por uma noite, Papo Reto e Lutar pelo que é meu foram a trilha sonora da vida de muita gente, inclusive da minha, durante anos. Lugar ao Sol é uma das músicas mais lindas que já ouvi. O legado que Chorão deixou para a música é imenso, mas a lacuna que sua morte deixou é impreenchível, pois o Charlie Brown era uma banda única, e em um tempo onde cada vez mais as músicas ruins que a mídia nos empurra goela abaixo aparecem, o Charlie Brown Jr. era uma boa exceção. O toque de genialidade que eles davam à musica fazia a diferença. Nesse ritmo, movimentos de bandas "irmãs", como o próprio Charlie Brown Jr, Raimundos, Detonautas Roque Clube e O Rappa serão cada vez mais raros, o que me faz crer que, por mais duro que pareça, Chorão partiu na melhor hora. Talvez agora ele esteja andando de skate nas nuvens, num Céu Azul, e já tenha descoberto a cor da parede da casa de Deus. E nós agora vamos viver nossos Dias de Luta, Dias de Glória, nem sempre sobre um Céu Azul, e sem ninguém pra sintetizar nossos sentimentos através das letras de uma melodia, com uma mente nem sempre tão lúcida e fértil.
O mais lamentável é que, ironicamente, Chorão contradisse o refrão de sua própria música, Quinta-Feira. A cocaína parecia inofensiva, mas o dominou. O marginal alado se preocupou tanto em cuidar dos outros que esqueceu de cuidar de si mesmo. Ou não foi forte o suficiente pra se livrar dessa praga em forma de pó branco.
Aliás, o que me irrita é o fato de as pessoas dizerem que Chorão não era exemplo para os jovens, por usar drogas. Primeiro, que ninguém tem o direito de julgar o cara. Ele sabia que isso era errado e não fazia apologia. Segundo, a morte dele vai servir como um grande aviso para os jovens que eram seus fãs. Droga, se fosse boa, não teria esse nome.
Como jornalista, digo que a imprensa era uma das que mais contribuíam para a suposta imagem ruim que ele tinha. Falavam da sua agressividade, mas não falavam da quantidade de gente que ele ajudou, a maioria moradores de rua. Sei de histórias dele que são grandes exemplos de humildade.
Fico feliz por ter conseguido assistir à alguns shows do Charlie Brown aqui em Manaus, porque sei que provavelmente não haverão outros. Se o Charlie Brown Jr. realmente acabar após a morte de seu líder, o fará como uma das maiores bandas de rock da história do nosso país.
À você, Alexandre Magno Abrão, só nos resta agradecer pelas suas mensagens e lições de vida.
Obrigado e descanse em paz.

"Só o que é bom dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível."

Deixo vocês com um artigo muito bom do Portal R7, escrito por André Forastieri, sobre o Chorão.
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2013/03/06/chorao/

E com as duas músicas póstumas do cantor.
Meu novo mundo:
http://www.youtube.com/watch?v=kEFHcwy0nrM

Um dia a gente se encontra:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=RSsAM_MPld0