quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Por que Bolsonaro foi eleito?

Bolsonaro nos braços do povo. Foto: Jornal do País.

Você pode não gostar do candidato, pode não concordar com suas idéias, mas o fato é que Jair Bolsonaro conseguiu ser eleito presidente porque enxergou com antecedência o que muitos de seus colegas políticos não viram ou demoraram a ver.

O sistema político tentou dificultar de todas as formas possíveis, para se proteger: proibiu as candidaturas avulsas, aprovou um fundo eleitoral bilionário, pago com dinheiro público, para compensar a proibição de doações de empresas privadas, tentaram voto em lista e até mesmo transformar o sistema de governo em parlamentarismo (se é o melhor sistema ou não é outra discussão). Mas Bolsonaro veio preparado. Desde o começo de sua campanha, ele sabia que enfrentar o establishment não seria fácil, mas ele foi à luta com as armas que tinha, e venceu. A primeira dificuldade foi achar um partido. Ele sabia da insatisfação popular com os políticos em geral, em virtude dos escândalos revelados pela operação lava-jato e queria se afastar de qualquer coisa que lembrasse essa "velha política". Conseguiu se filiar a um partido até então pequeno, o PSL - Partido Social Liberal. Depois, aderiu a políticas mais liberais, deixando pra trás a imagem de estadista, o que agradou muitos de seus eleitores. E diferentemente dos outros candidatos, Bolsonaro não focou no problema da ecônomia. Ao invés disso, resolveu levantar a bandeira da segurança pública, um problema tão grave quanto no país, e que também nos causa muita preocupação.

Mas a vitória de Bolsonaro se deve a dois principais motivos. Primeiro, pelo fato de ele ter conseguido enxergar nas redes sociais um espaço melhor do que a TV para a divulgação de suas idéias. Mesmo com algumas delas tendo claramente um perfil esquerdista, o espaço da internet e das mídias digitais ainda é mais livre e democrático que os outros meios de comunicação de massa, totalmente dominados pelo establishment. Segundo, porque ele soube se colocar como representante de um crescente e avassalador movimento contracultural liberal-conservador e anti-petista, formado por pessoas cansadas da mordaça verbal, religiosa e cultural, da destruição econômica e da institucionalização da corrupção imposta por dezesseis anos de um governo esquerdista. Alçados ao protagonismo na política brasileira após as mega manifestações populares de junho de 2013, os liberais e conservadores até então não se viam representados na política brasileira (porque não havia, na época, nenhum partido realmente de direita no país), nem tampouco na mídia, apesar de serem maioria no país. E adivinhem qual foi o espaço que essa multidão achou para conseguir se organizar e se expressar? Sim, as redes sociais. Foi assim que as ideias de Bolsonaro encontraram eco através de influenciadores digitais, escritores, artistas (principalmente músicos e atores), e intelectuais não orgânicos (usando a definição Gramsciana), e encontraram essa multidão.

Assim, Bolsonaro se tornou um verdadeiro fenômeno eleitoral. Não somente venceu a eleição para presidente da república, como elegeu todos os candidatos que o apoiaram, com números históricos. A direita deu o seu grito de liberdade. E seus adversários não souberam como reagir. O PT, obsecado com o poder, sucumbiu, vítima da própria arrogância. A esquerda rachou. A grande mídia, muito atacada por Bolsonaro (na maioria das vezes, merecidamente), parece não entender nada do que aconteceu. A estes, só resta fazer oposição, mas não uma oposição que atrase o país só para satisfazer o próprio ego, mas uma oposição ao estilo da que Bill Clinton sofreu nos anos 90 nos EUA. Muito ajuda quem não atrapalha. Esperamos que o sistema político tenha entendido o recado das urnas.

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