quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Devolvam a Seleção Brasileira!


Seleção Brasileira na Copa América de 2015. Em pé: Roberto Firmino, Fernandinho, Filipe Luis, Thiago Silva, Jéfferson e Miranda. Agachados: Robinho, Daniel Alves, Elias, Coutinho e Willian.


Há certas coisas que eu não consigo entender. Por exemplo, hoje, ao assistir a convocação da Seleção Brasileira de Futebol para os jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018 contra Argentina e Peru, fiquei me perguntando: qual o critério do técnico Dunga? Em sua primeira passagem pela seleção, ele pelo menos formou um time com os jogadores que tiveram o maior número de boas atuações contínuas em amistosos e na Copa América de 2007 na Venezuela, conquistada pelo Brasil, mas agora, simplesmente, tem algumas coisas que não dá pra aceitar. Ele nega que as convocações tenham influência de empresários do marketing, mas dá a entender totalmente o contrário. O que explicaria a presença de Kaká nas convocações recentes? Em final de carreira, jogando na liga dos Estados Unidos, e com gente muito melhor pra posição, se não for jogada de marketing, não sei o que é. Tudo bem que a concorrência no setor é muito grande, mas que ele convoque pelo menos os que estão em melhor momento. Insistir em Oscar, por exemplo, que não joga bem desde a Copa do Mundo e vive má fase no Chelsea, tanto que hoje é reserva, e deixar de fora Phillipe Coutinho? A única explicação aceitável seria uma contusão (como na última convocação), mas fora isso, dá a entender o mesmo que a convocação do Kaká. Se convoca Lucas Lima e Renato Augusto, ótimo, são boas opções, mas os escale!
Outra coisa que irrita é a falta de alternativas ao time. Pelo menos em algumas posições. No meio-campo, por exemplo. Fora a meia direita, que tem 4 boas opções, as outras ainda suscitam dúvidas. Nada contra Luiz Gustavo, acho bom jogador, mas será possível que só ele possa ser o volante da seleção? Casemiro está jogando bem no Real Madrid, Fernando Reges, do Manchester City, é outra boa opção, além de outros nomes no futebol nacional, como Rafael Carioca, do Atlético-MG. E no ataque, parece que Dunga desistiu de Diego Tardelli, mas será possível que só temos Ricardo Oliveira como homem de área? Porque não fazer testes com jogadores que estão bem na Europa, como Rafael, do Borussia Monchengladbach ou Léo Baptistão do Villareal? Pra quem convocou Afonso Alves e Grafite, era de se esperar algum teste desse tipo. E na defesa? Sempre aparecem os mesmos nomes. Miranda é inquestionável, mas parece que ninguém quer jogar ao lado dele. Thiago Silva é desequilibrado, Marquinhos é muito jovem, e David Luiz não inspira mais a mesma confiança de antes. É preciso buscar outras opções além de Gil, do Corinthians. Seria bom olhar melhor os campeonatos nacionais europeus. Na Itália, por exemplo, jogam mais de 20 brasileiros, será que nenhum deles serve pra seleção
Claro que o problema não passa só por Dunga. Toda a atual cúpula da CBF tem sua parcela de culpa. Demitir Mano Menezes por questões políticas quando o treinador começava a dar uma cara para o time. Colocar Felipão no cargo, ao invés de Pep Guardiola, e montar uma comissão técnica só com ex-técnicos e jogadores, todos com visões ultrapassadas de futebol, além de todos os casos de corrupção contribuíram para o 7 a 1 em casa na Copa do Mundo. Se a mudança ainda não veio agora, é preciso que ela venha antes de 2018. O futebol agradece. 
Se o presente é tenebroso, pelo menos podemos vislumbrar um bom futuro. A seleção sub-20, comandada por Rogério Micale, foi vice-campeã mundial da categoria, perdendo a final para a Sérvia por 2 a 1. E muitos desses jogadores estarão nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no ano que vem, numa seleção que também contará com nomes jovens já com experiências no time principal, como Maquinhos, Fabinho, Felipe Anderson, Fred, Anderson Talisca, Rafinha Alcântara, entre outros. E a cargo de informação, a base da atual seleção principal é formada pelos últimos jogadores que conquistaram o mundial sub-20 para o Brasil: Oscar, Firmino, Coutinho, Danilo, Neymar, Lucas Moura, entre outros. Entretanto, o técnico do time olímpico será Dunga, e não Micale, apesar de que este participa das convocações e dos treinamentos. E, ao que parece, o destino de Dunga já está traçado. Maus resultados contra Argentina e Peru poderão custar o seu cargo. Até 2018, muita coisa pode acontecer. E eu espero ver novamente uma seleção brasileira que dê alegrias a seu povo, já que, novamente, vivemos tempos de crise econômica e política, e o futebol é uma das maiores "válvulas de escape" para nossos cérebros nesse momento. Por isso eu peço: Marin, Del Nero, Gilmar Rinaldi, Dunga e empresários, devolvam a nossa Seleção Brasileira!