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| Adenor Bacchi, o Tite, deve ser o novo técnico da Seleção Brasileira. |
Neste dia 14 de junho, uma reunião na CBF
deve definir a saída de Dunga e Gilmar Rinaldi do comando da seleção
brasileira. Antes tarde do que nunca. Mas o novo técnico, seja quem for, terá
nas mãos uma missão complicada. Além de recuperar o prestígio do time, abalado
desde os 7 a 1 para a Alemanha, devera também resgatar o orgulho, tanto do povo
em torcer e assistir aos jogos, quanto dos jogadores em vestir a camisa
amarela. Para isso, ele deve fazer o seguinte:
1 - Contar sempre com os melhores.
Um dos maiores problemas da seleção com Dunga
era que muitos dos melhores jogadores brasileiros em suas posições não eram
convocados. Ou por falhas, que acontecem com qualquer pessoa, ou por birra,
caso do lateral Marcelo. A atual geração tem apenas um jogador nota 09, Neymar,
e vários jogadores nota 07 ou 08. Cabe ao novo treinador formar um time com
esses nomes e fazê-lo render o que podem. Se puderem jogar todos juntos, num
esquema estilo Copa de 70, melhor ainda. Muitos dizem que a geração é ruim, mas
uma geração com Willian, Phillipe Coutinho, Douglas Costa, Casemiro, Firmino,
Lucas Moura, entre outros não pode ser chamada de ruim. Pode não ser tão boa
quanto a geração de Ronaldinho, Kaká, Rivaldo, Romário e etc, mas não é ruim.
2 - Incorporar a seleção olímpica à principal.
Dunga tentou fazer isso quando convocou 07
jogadores com idade olímpica para a Copa América Centenário. Perdeu 02 deles
por contusão, é verdade, mas o fiasco (mais um) na competição mostra que a
tentativa não deu certo. O novo técnico deve saber trabalhar muito bem essa
questão. Apesar de eu achar que colocar um técnico agora seria desprestigiar o
bom trabalho de Rogério Micale, também acho que ter o mesmo técnico nas duas
seleções evita um possível conflito de idéias. Além disso, se os dois times
treinarem da mesma forma, não será preciso aos mais jovens se adaptarem à
seleção principal. Basta apenas um pouco de bom senso.
3 - Enquadrar Neymar.
O maior craque brasileiro da atualidade tem
deixado a desejar. Nos últimos jogos, esteve ausente na maioria deles. E quando
joga, tem demonstrado uma insatisfação e um egoísmo preocupantes. Fora de
campo, não tem dado exemplo. Pode ser que seus problemas na Espanha o estejam
afetando? Não sei, mas o novo técnico tem que ter uma conversa séria com o
camisa 10. Jogadores “marrentos” são necessários em qualquer time, até porque
normalmente eles são os melhores jogadores. Mas tudo tem um limite. Quando
começa a atrapalhar o desempenho em campo, é ora de maneirar. O novo técnico
precisa fazer Neymar jogar o que joga no Barcelona e também fazer com que o
coletivo funcione para ele. Só assim teremos um time minimamente competitivo.
4 - Fazer os jogadores e a torcida entenderem o projeto de trabalho.
Muitos dos melhores
times da atualidade são o que são por causa dos trabalhos de médio ou longo
prazo de seus técnicos, um problema grave no Brasil. O Barcelona de Guardiola,
o Manchester United de Alex Ferguson, a seleção Chilena de Jorge Sampaoli.
Todos são trabalhos de longo prazo que só começaram a dar resultados
recentemente. A Alemanha campeã do mundo em 2014 começou a ser formada em 2006.
Portanto o novo técnico deve pensar, primeiramente, em se classificar para a
Copa do Mundo da Rússia. Mas não deve ter como projeto vencê-la, e sim formar
uma equipe que chegue em 2022 preparada para vencer. Resta saber se o novo nome
terá respaldo para isso. A CBF diz que a prioridade é Tite, que vem sendo
aclamado pelo povo. Talvez ele tenha esse respaldo.
5 - Observar melhor os jogadores.
Nossa safra de jogadores não é ruim. Mas é escassa, pelo menos em algumas posições. Isso se deve um pouco ao fato de que muitos jogadores brasileiros na Europa não são chamados para a seleção. Nosso time seria muito melhor se tivesse um volante como Thiago Motta, ou um atacante como Diego Costa. Mas o primeiro cansou de esperar e optou pela Itália, enquanto o segundo até chegou a ser convocado por Felipão, mas não sentiu firmeza e acabou optando pela Espanha. E são justamente as posições mais carentes da seleção hoje: a de centroavante e a de segundo volante.
Um dado interessante a se levar em conta é que, na última edição da Liga dos Campeões da Europa, haviam 26 jogadores brasileiros entre os times que disputavam as oitavas de final do torneio. O suficiente para se formar pelo menos 2 times. Não seria o caso, então, de convocar alguns desses jogadores para fazer testes, até para que haja renovação em algumas posições?
Quanto aos jogadores que atuam no futebol brasileiro, é preciso um diálogo com os clubes. Muitos deles não gostam de ceder seus jogadores para a seleção porque se prejudicam no campeonato brasileiro. Mas isso não é culpa da seleção e sim da CBF e de seu calendário mal planejado. Se, em 2017, o calendário prever pausa dos campeonatos durante as datas FIFA, já será de grande ajuda.
Ao se fazer as convocações, deve-ser priorizar as grandes ligas europeias (Alemanha, Itália, Espanha e Inglaterra). Jogadores que sejam titulares de gigantes europeus devem ser titulares da seleção. Depois, junte jogadores de ligas de segundo escalão (mas, nada de China ou Oriente médio) e do futebol nacional. Se, até 2018, tivermos pelo menos 23 jogadores em condições, já teremos dado um grande passo.
Uma coisa é certa: com Dunga, não dá mais. Mas a culpa não é só dele. É preciso uma reformulação geral, em toda a estrutura do futebol brasileiro. A crise do futebol também é reflexo da crise política e por aí passa parte da solução.
