segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A crise do rock nacional.



Em 2013, presenciamos o triste fim do grupo Charlie Brown Jr., uma das maiores bandas de rock do Brasil. Em março, o vocalista Chorão foi encontrado morto, vítima de overdose de cocaína. Na época, fiquei tão emocionado que só consegui escrever sobre o assunto 5 dias depois. E eis que, 6 meses depois, me vem a sensação de deja vú com a morte do Champignon, baixista da antiga banda, que se tornou A Banca, onde ele virou vocalista. Morreu jovem, com 35 anos, deixando uma filha, uma esposa grávida e milhares de fãs. Talvez não tenha aguentado a pressão que era substituir o amigo, compositor lendário. Tentou seguir em frente, tal qual Dave Grohl, ex baterista do Nirvana, quando fundou o Foo Fighters. Não tentava ser igual a Chorão nos vocais. Nem poderia, pois, apesar de conduzir bem os shows, ele não tinha a mesma presença de palco. Se contentava apenas em fazer algo parecido, e não negava isso. Mesmo assim, alguns fãs de Chorão o detestavam, principalmente depois da última briga dos dois, em cima do palco. Isso pode ter sido um fatos. Dois grandes músicos derrotados pela depressão. Uma banda como o Charlie Brown não merecia um fim assim. Agora só restam as lembranças.
A história do Champignon se torna ainda mais trágica quando lembramos a história de uma de suas antigas bandas, a 9 Mil Anjos. Além de Champignon, o guitarrista Peu, ex-Pitty, também cometeu suicídio, pelo mesmo motivo. E o baterista Júnior Lima, irmão da cantora Sandy, com quem formou uma dupla, recentemente passou por internação.
Acho que o rock no Brasil corre sério risco de extinção. As bandas que ainda conseguem manter o gênero na ativa são ofuscadas pela música comercial. E pra piorar, os caras bons morrem. Ainda bem que consegui assistir ao show da Banca em Manaus. Por incrível que pareça, a internet fez mal para a música. Hoje em dia é muito fácil fazer sucesso. Qualquer um pode fazer uma música mequetrefe e jogar na internet que vai ter quem ouça e "curta". E nós temos que aguentar. Se for só uma crise, ela está muito duradoura. 
Outro problema é ver que pessoas que pareciam ter a mente forte, até mesmo pelas mensagens que passavam, acabarem dessa maneira. Diferentemente de Chorão, Champs não usava drogas. Era bem mais alegre e tinha personalidade bem menos agressiva que a do amigo. Rezo pra que não aconteça o mesmo com as bandas que ainda restam, para podermos ter esperança numa música melhor um dia. Tenho saudade dos anos 80 mesmo sem ter nascido, e dos anos 90, de bandas como os saudosos Mamonas Assassinas. Espero um dia ver bandas como os Mamonas e o Charlie Brown Jr. novamente.
Descanse em paz, Champignon.      

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