segunda-feira, 11 de março de 2013

Obrigado, Chorão.


"Sempre sonhei em fazer um som que fosse a cara, e então poder chegar em algum lugar, ver a garota sorrir, a galera pular, a multidão a me chamar..."

Quarta-feira, 06 de março de 2013. Estava dirigindo para o trabalho, quando escuto no rádio uma música do Charlie Brown Jr. Não lembro qual era, mas lembro da minha reação logo após o fim da música, quando o locutor anunciou a morte do vocalista, Chorão. Fiquei tão chocado que, a princípio, não acreditei. Precisava de uma segunda opinião. Assim que cheguei ao trabalho, tratei de tentar confirmar aquela informação. Assim que li a manchete no portal G1, vi que, infelizmente era verdade.
Pra quem é fã, é muito difícil perder um ídolo. Eu não ficava tão triste desde o acidente dos Mamonas Assassinas, há 17 anos. Fiquei 3 dias mal. Chorei. Guardei meus CD's e DVD's da banda em um local separado, pois não aguentaria ouvir enquanto não digerisse a notícia. Somente hoje consegui escrever essa postagem, apesar de já estar com a ideia há alguns dias.
O mais duro é saber que, sem o Chorão, provavelmente o Charlie Brown Jr. também deixará de existir. Ele era a alma da banda, sem trocadilhos maldosos. Champignon, o baixista, poderia tentar assumir os vocais para dar continuidade ao projeto, mas acho que os componentes deveriam mudar o nome da banda, ou algo assim, para que isso desse certo. Não seria a mesma coisa que aconteceu com os Raimundos, que passaram por um período de ostracismo com a saída do Rodolfo até ressurgirem recentemente, com o guitarrista Digão assumindo os microfones, ou do Barão Vermelho, em que o guitarrista Roberto Frejat (re)assumiu a lacuna dos vocais deixada por Cazuza, depois de sua morte.
Por falar em Cazuza, acho que cabe a comparação.Muitas pessoas que nasceram em meados dos anos 70 e 80 perderam ídolos na sua juventude, como Raul Seixas, Cazuza e mais tarde, o não menos genial, Renato Russo. Para nós, jovens de 20 e poucos anos, nascidos nos anos 90, que crescemos ouvindo bandas como o Charlie Brown Jr, a perda é no mesmo nível.
Chorão era um cara que, com apenas uma frase, te fazia refletir sobre sua vida inteira. Suas letras eram poéticas e sentimentais, mais muito bem aliadas a um rock and roll da melhor qualidade. E ele conseguia fazer isso mesmo tendo estudado apenas até a 7ª série. Músicas como Proibida pra mim, Te levar, Zóio de Lula, Só por uma noite, Papo Reto e Lutar pelo que é meu foram a trilha sonora da vida de muita gente, inclusive da minha, durante anos. Lugar ao Sol é uma das músicas mais lindas que já ouvi. O legado que Chorão deixou para a música é imenso, mas a lacuna que sua morte deixou é impreenchível, pois o Charlie Brown era uma banda única, e em um tempo onde cada vez mais as músicas ruins que a mídia nos empurra goela abaixo aparecem, o Charlie Brown Jr. era uma boa exceção. O toque de genialidade que eles davam à musica fazia a diferença. Nesse ritmo, movimentos de bandas "irmãs", como o próprio Charlie Brown Jr, Raimundos, Detonautas Roque Clube e O Rappa serão cada vez mais raros, o que me faz crer que, por mais duro que pareça, Chorão partiu na melhor hora. Talvez agora ele esteja andando de skate nas nuvens, num Céu Azul, e já tenha descoberto a cor da parede da casa de Deus. E nós agora vamos viver nossos Dias de Luta, Dias de Glória, nem sempre sobre um Céu Azul, e sem ninguém pra sintetizar nossos sentimentos através das letras de uma melodia, com uma mente nem sempre tão lúcida e fértil.
O mais lamentável é que, ironicamente, Chorão contradisse o refrão de sua própria música, Quinta-Feira. A cocaína parecia inofensiva, mas o dominou. O marginal alado se preocupou tanto em cuidar dos outros que esqueceu de cuidar de si mesmo. Ou não foi forte o suficiente pra se livrar dessa praga em forma de pó branco.
Aliás, o que me irrita é o fato de as pessoas dizerem que Chorão não era exemplo para os jovens, por usar drogas. Primeiro, que ninguém tem o direito de julgar o cara. Ele sabia que isso era errado e não fazia apologia. Segundo, a morte dele vai servir como um grande aviso para os jovens que eram seus fãs. Droga, se fosse boa, não teria esse nome.
Como jornalista, digo que a imprensa era uma das que mais contribuíam para a suposta imagem ruim que ele tinha. Falavam da sua agressividade, mas não falavam da quantidade de gente que ele ajudou, a maioria moradores de rua. Sei de histórias dele que são grandes exemplos de humildade.
Fico feliz por ter conseguido assistir à alguns shows do Charlie Brown aqui em Manaus, porque sei que provavelmente não haverão outros. Se o Charlie Brown Jr. realmente acabar após a morte de seu líder, o fará como uma das maiores bandas de rock da história do nosso país.
À você, Alexandre Magno Abrão, só nos resta agradecer pelas suas mensagens e lições de vida.
Obrigado e descanse em paz.

"Só o que é bom dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível."

Deixo vocês com um artigo muito bom do Portal R7, escrito por André Forastieri, sobre o Chorão.
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2013/03/06/chorao/

E com as duas músicas póstumas do cantor.
Meu novo mundo:
http://www.youtube.com/watch?v=kEFHcwy0nrM

Um dia a gente se encontra:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=RSsAM_MPld0

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