segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Polícia para quem precisa.



Nas últimas semanas, passei a crer que a polícia militar parou no tempo. Mais precisamente em algum ano da ditadura militar. E concordo com o jornalista Ricardo Noblat que diz mais ou menos a mesma coisa a respeito dos jornais no livro "A Arte de Fazer um Jornal Diário", a Bíblia das Faculdades de Jornalismo. Porque não é possível que em pleno século XXI, com a internet acessível em qualquer lugar (há controvérsias, é verdade), alguém ainda acredite piamente no que a televisão diz sem dar uma pesquisada antes. É princípio jornalístico, inclusive, buscar uma segunda opinião. Mas parece que a burrice e a passividade imperam. Os Titãs tinham razão...
Vejamos como exemplo os últimos casos de repercussão no Brasil. O do pedreiro Amarildo, desaparecido no Rio de Janeiro e o do garoto Marcelo Eduardo Pesseghini, acusado de matar toda a sua família de policiais. Em ambos os casos, há o envolvimento de policiais militares, que para tentarem se livrar das acusações, acusam inocentes. A mídia, de alguma forma, contribui com essa farsa. Apenas preste atenção na cobertura que as grandes redes de televisão dão aos casos. Depois compare-as com a cobertura feita pela internet. A diferença é gritante. No caso do pedreiro Amarildo, até percebeu-se que o caso estava estranho demais e logo a mídia passou a ser menos parcial, mas no caso da família Pesseghini, a culpa já foi presumida antes do julgamento. Se não fossem as discrepâncias evidentes no caso, ficaria por isso mesmo. Voltando alguns anos no tempo, vejamos o caso do casal Nardoni. Todas as evidências apontavam para a culpa do casal e a mídia caía em cima dos dois. Eis que, 5 anos depois, um laudo feito nos Estados Unidos pode inocentar o casal. Na época, já houve quem acreditasse na inocência do casal, apesar de que isso era muito menos provável que nos dois casos anteriores e agora, com essa reviravolta, devemos questionar melhor até que ponto o que a mídia diz é verdade.
Mas voltando ao assunto principal, é evidente que a polícia militar sofre de um incapacidade crônica demonstrada desde o tempo da ditadura. Claro que não devemos generalizar. Devemos ver também as coisas boas, como a pacificação das favelas do Rio de Janeiro, por exemplo. Mas se envolver em casos como esses e tentar se eximir da culpa ocultando a verdade e acusando inocentes não é digno. Nem aceitar tudo sem perguntar nada. Como diz o provérbio "aquele que pergunta é um tolo por 5 minutos, mas aquele que não pergunta permanece tolo para sempre". O povo está acostumado a acusar inocentes e inocentar culpados desde o tempo de Jesus...
Claro que há muito mais coisa por trás. A polícia é mal paga, mal distribuída, o povo não colabora e a corrupção impera. Aliás, a corrupção é um grande câncer que afeta o país. E a quimioterapia vai demorar pra dar resultado.
Agora, se tem alguém que é completamente inocente na história da família de policiais são os videogames. Sempre acusados nesse tipo de caso. Pra quem não sabe, não há nenhum estudo que comprove a influência de jogos eletrônicos violentos nesse tipo de ação. Aliás, muito pelo contrário, há vários estudos que comprovam a eficácia dos games em tratamento de doenças e coisas do tipo. Pesquisem sobre os autores Steven Johnson, Jane McGonigal e Lynn Alves e verão do que eu estou falando. Joguei muito Fifa Soccer e estou longe de ser um craque do futebol. Se serve pra um, serve pra outro. O que realmente influencia é o ambiente em que a pessoa vive, o que também não justifica por a culpa no garoto. Aliás, num país realmente sério, um jogo que tem classificação etária de 16 anos não chegaria às mãos de um garoto de 13.
O que me faz realmente ter certeza de que o garoto é inocente é o fato de que, antes de morrer, a família Pesseghini havia denunciado a participação de alguns PM's em roubos a caixas eletrônicos. Quer caso mais clássico de vingança e queima de arquivo do que esse? Sem falar de outras coisas estranhas, como a mudança repentina de opinião de testemunhas, por exemplo. Claro que pimenta no olho dos outros é refresco, mas quem não deve, não teme.  
Já que finalmente lembramos do nosso direito de manifestação, podíamos ir às ruas pedir mais seriedade nos nossos órgãos de segurança. Os primeiros protestos sobre o caso não deram certo, mas se quisermos que a verdade venha à tona um dia, devemos pressionar a polícia como fizemos com os políticos. Mas temo, sinceramente, que nada aconteça.

Nenhum comentário:

Postar um comentário