terça-feira, 14 de junho de 2016

Cinco coisas que o novo técnico da Seleção Brasileira precisa fazer.

Adenor Bacchi, o Tite, deve ser o novo técnico da Seleção Brasileira.

Neste dia 14 de junho, uma reunião na CBF deve definir a saída de Dunga e Gilmar Rinaldi do comando da seleção brasileira. Antes tarde do que nunca. Mas o novo técnico, seja quem for, terá nas mãos uma missão complicada. Além de recuperar o prestígio do time, abalado desde os 7 a 1 para a Alemanha, devera também resgatar o orgulho, tanto do povo em torcer e assistir aos jogos, quanto dos jogadores em vestir a camisa amarela. Para isso, ele deve fazer o seguinte:

1 -    Contar sempre com os melhores.


Um dos maiores problemas da seleção com Dunga era que muitos dos melhores jogadores brasileiros em suas posições não eram convocados. Ou por falhas, que acontecem com qualquer pessoa, ou por birra, caso do lateral Marcelo. A atual geração tem apenas um jogador nota 09, Neymar, e vários jogadores nota 07 ou 08. Cabe ao novo treinador formar um time com esses nomes e fazê-lo render o que podem. Se puderem jogar todos juntos, num esquema estilo Copa de 70, melhor ainda. Muitos dizem que a geração é ruim, mas uma geração com Willian, Phillipe Coutinho, Douglas Costa, Casemiro, Firmino, Lucas Moura, entre outros não pode ser chamada de ruim. Pode não ser tão boa quanto a geração de Ronaldinho, Kaká, Rivaldo, Romário e etc, mas não é ruim.

2 -    Incorporar a seleção olímpica à principal.


Dunga tentou fazer isso quando convocou 07 jogadores com idade olímpica para a Copa América Centenário. Perdeu 02 deles por contusão, é verdade, mas o fiasco (mais um) na competição mostra que a tentativa não deu certo. O novo técnico deve saber trabalhar muito bem essa questão. Apesar de eu achar que colocar um técnico agora seria desprestigiar o bom trabalho de Rogério Micale, também acho que ter o mesmo técnico nas duas seleções evita um possível conflito de idéias. Além disso, se os dois times treinarem da mesma forma, não será preciso aos mais jovens se adaptarem à seleção principal. Basta apenas um pouco de bom senso.

3 -    Enquadrar Neymar.


O maior craque brasileiro da atualidade tem deixado a desejar. Nos últimos jogos, esteve ausente na maioria deles. E quando joga, tem demonstrado uma insatisfação e um egoísmo preocupantes. Fora de campo, não tem dado exemplo. Pode ser que seus problemas na Espanha o estejam afetando? Não sei, mas o novo técnico tem que ter uma conversa séria com o camisa 10. Jogadores “marrentos” são necessários em qualquer time, até porque normalmente eles são os melhores jogadores. Mas tudo tem um limite. Quando começa a atrapalhar o desempenho em campo, é ora de maneirar. O novo técnico precisa fazer Neymar jogar o que joga no Barcelona e também fazer com que o coletivo funcione para ele. Só assim teremos um time minimamente competitivo.

4 -    Fazer os jogadores e a torcida entenderem o projeto de trabalho.


Muitos dos melhores times da atualidade são o que são por causa dos trabalhos de médio ou longo prazo de seus técnicos, um problema grave no Brasil. O Barcelona de Guardiola, o Manchester United de Alex Ferguson, a seleção Chilena de Jorge Sampaoli. Todos são trabalhos de longo prazo que só começaram a dar resultados recentemente. A Alemanha campeã do mundo em 2014 começou a ser formada em 2006. Portanto o novo técnico deve pensar, primeiramente, em se classificar para a Copa do Mundo da Rússia. Mas não deve ter como projeto vencê-la, e sim formar uma equipe que chegue em 2022 preparada para vencer. Resta saber se o novo nome terá respaldo para isso. A CBF diz que a prioridade é Tite, que vem sendo aclamado pelo povo. Talvez ele tenha esse respaldo.

5 - Observar melhor os jogadores.


Nossa safra de jogadores não é ruim. Mas é escassa, pelo menos em algumas posições. Isso se deve um pouco ao fato de que muitos jogadores brasileiros na Europa não são chamados para a seleção. Nosso time seria muito melhor se tivesse um volante como Thiago Motta, ou um atacante como Diego Costa. Mas o primeiro cansou de esperar e optou pela Itália, enquanto o segundo até chegou a ser convocado por Felipão, mas não sentiu firmeza e acabou optando pela Espanha. E são justamente as posições mais carentes da seleção hoje: a de centroavante e a de segundo volante. 
Um dado interessante a se levar em conta é que, na última edição da Liga dos Campeões da Europa, haviam 26 jogadores brasileiros entre os times que disputavam as oitavas de final do torneio. O suficiente para se formar pelo menos 2 times. Não seria o caso, então, de convocar alguns desses jogadores para fazer testes, até para que haja renovação em algumas posições? 
Quanto aos jogadores que atuam no futebol brasileiro, é preciso um diálogo com os clubes. Muitos deles não gostam de ceder seus jogadores para a seleção porque se prejudicam no campeonato brasileiro. Mas isso não é culpa da seleção e sim da CBF e de seu calendário mal planejado. Se, em 2017, o calendário prever pausa dos campeonatos durante as datas FIFA, já será de grande ajuda. 
Ao se fazer as convocações, deve-ser priorizar as grandes ligas europeias (Alemanha, Itália, Espanha e Inglaterra). Jogadores que sejam titulares de gigantes europeus devem ser titulares da seleção. Depois, junte jogadores de ligas de segundo escalão (mas, nada de China ou Oriente médio) e do futebol nacional. Se, até 2018, tivermos pelo menos 23 jogadores em condições, já teremos dado um grande passo.

Uma coisa é certa: com Dunga, não dá mais. Mas a culpa não é só dele. É preciso uma reformulação geral, em toda a estrutura do futebol brasileiro. A crise do futebol também é reflexo da crise política e por aí passa parte da solução.

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