Assistindo à final do The Voice Kids nesse domingo, ao saber do resultado, fiquei me perguntando: o que é levado em conta nesse tipo de programa? Não é a primeira vez que um reality show musical da Globo tem resultados questionáveis (sim, Superstar 2, estou falando de você).
Não que a vitória de Wagner Barreto não tenha sido merecida. Suas apresentações foram impecáveis e muito bem interpretadas, desde o começo do programa, além de o mesmo ter uma voz impressionante, o que, aliás, todos os concorrentes tinham. Ela só não foi, talvez, justa.
Analisando o programa desde a primeira tarde, temos que prestar atenção em alguns detalhes além da apresentação. Primeiro: não basta apenas a criança ser boa cantora. Ela precisa ter carisma. Isso, talvez, os três tivessem, mas haviam concorrentes, até entre os que ficaram para trás, que tinham tanto ou mais carisma que o vencedor. Segundo: a repercussão das apresentações. Rafa Gomes e Pérola Crepaldi foram MUITO mais comentadas na internet do que Wagner Barreto (pesquisem os Trending Topics do Twitter e vocês vão ver que eu tenho razão). Além disso, as outras duas concorrentes tiveram bem mais visualizações nos videos de suas apresentações do que o campeão. Rafa Gomes, ganhou, na minha opinião, a batalha mais épica da história do The Voice Brasil, contra Kaliny Rodrigues e Igor Silveira, cantando uma música do Balão Mágico. E, entre as três, talvez fosse a que tivesse mais expressividade. Só por isso, a vitória dela em uma final seria bem mais justa, mesmo ela tendo sido prejudicada no final, por conta de uma música mal escolhida. Pérola Crepaldi também mereceria por conta de ser, além de uma excelente cantora, uma pessoa que tem um modo de agir que alegra a qualquer um.
E terceiro: se vocês notarem, a partir da terceira fase, o tal do "fofurômetro", criado após a batalha entre Rafa Gomes e os outros com a música "Superfantástico", era o fiel da balança na escolha do vencedor das batalhas. Era uma espécie de termômetro da torcida: quanto mais alto, significava mais gente gostando e votando. Então eu pergunto: por que, justamente na final, essa lógica não prevaleceu? Não quero insinuar nada, mas parece que, mais uma vez, o gênero musical foi levado em conta na escolha do vencedor. A Rede Globo, em todas as suas edições do The Voice Brasil, nunca conseguiu colocar na mídia NENHUM dos vencedores do programa. No máximo eles apareciam em um ou outro programa da emissora, tinham uma música inserida na trilha sonora de uma novela, e, depois de algum tempo, caíam novamente em um ostracismo que só não é completo porque existe a internet, que até aqui, era determinante. No Superstar, a vencedora da primeira edição, a Banda Malta, conseguiu entrar e permanecer nas paradas de sucesso, por mais que, no momento, esteja um pouco sumida. Mesmo sabendo disso, a Globo continuou indo contra a maré quando direcionou a segunda edição do programa para uma vitória da dupla Lucas e Orelha, mesmo sabendo que o público da banda concorrente era tão grande quanto, ou até maior, do que o deles. Claro que eles devem ter pensado: uma banda de rock contra uma dupla que canta pop e black music. Na primeira edição, já tivemos uma banda de rock como vencedora, então, vamos dar a vitória para os garotos. Ora, se a Rede Globo, como o maior veículo de comunicação desse país, é uma formadora de opinião, porque não deixar um artista vencer por merecimento e não porque ele tem mais chance de fazer sucesso do que o outro? A indústria musical da atualidade se tornou escrava do sucesso, mas esqueceu de se preocupar com a qualidade do produto. Por isso, o rock está no ostracismo, enquanto o sertanejo e o funk estão com tudo e mais um pouco. E com isso, eles podendo impor uma opinião, com um gênero que está "fora de moda", preferem continuar "seguindo a maré", porque é mais fácil. E assim, a qualidade da música brasileira vai caindo cada vez mais, e não vai surgir nenhum artista como os Mamonas Assassinas, por exemplo, pra provar que ir contra os padrões pode dar certo.
No momento, me sinto como o personagem de Marcelo Adnet na série "Tá no Ar, que interrompe a programação para fazer duras críticas à emissora. Essa manipulação não vai levar a lugar nenhum. O futuro só vai ser diferente se o presente mudar.
É por essas e outras que eu digo: a vitória de Wagner Barreto na primeira edição do The Voice Kids foi merecida, mas injusta. E ele deve agradecer à Rede Globo por isso. Mais um artista sertanejo para nossos ouvidos aguentarem. Por isso o país está do jeito que está. Todo mundo aceita tudo calado, só critica o que lhe convêm. Paciência.

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