“Os
políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente, e pela mesma razão.”
Eça de Queiroz
O próximo domingo, dia 17, será um dia
histórico para o Brasil. Nesse dia, será votado no Plenário da Câmara dos
Deputados, em Brasília, o Impeachment da presidente Dilma Rouseff, acusada de
crime de responsabilidade fiscal. E, embora muitos governistas critiquem o
julgamento, acusando de “golpe”, eles mesmos reconhecem que uma vitória no
domingo é praticamente impossível. Melhor que um impeachment invevitável seria
se o TSE cassasse a chapa Dilma – Temer, já que, de acordo com o relatório do
Tribunal de Contas da União, a chapa se elegeu com dinheiro desviado no
escândalo da Petrobrás. Mas isso entregaria o país na mão de Eduardo Cunha,
presidente da câmara e responsável pelo julgamento da presidente, o mesmo alvo
da Operação Lava-jato e de ação no conselho de ética da câmara, que pode cassar
seu mandato.
Esse é o ponto central da questão. Muitos que são contra o impeachment, argumentam que tudo não passa de um complô de Eduardo Cunha com o vice-presidente Michel Temer, para tomar o poder e que a maioria dos deputados que está julgando o relatório do impeachment tem problemas com a justiça. Por mais paranóico que isso soe, devemos fazer uma auto-crítica, para que isso não pareça hipocrisia. Esses caras tem culpa sim de serem corruptos ou cometerem qualquer tipo de crime. Mas parte da culpa também é nossa de elegê-los. Então, se políticos criminosos julgam crimes políticos, a culpa é do povo.
Por isso, temos que tirar o dia 17 como
lição. O impeachment, inevitavelmente, vai acontecer. Há crime de
responsabilidade comprovado pelo TCU e vários motivos e agravantes. E será
melhor para o país, pelo menos econômicamente falando, que o PT deixe o poder depois
de 14 anos, por mais tensão que haja depois. Teremos, daqui pra frente, que
escolher melhor nossos candidatos, pesquisando além de suas propostas, seus
antecedentes criminais, se houverem. Devemos também cobrar a eficácia da lei da
ficha-limpa, que é uma vitória do povo. Mas, acima de tudo, devemos ter
consciência de que os políticos trabalham para o povo, e recebem MUITO dinheiro
pra isso. Nós damos poder a eles e nós podemos tirá-lo, se nossas expectativas
não forem cumpridas. São os políticos que se submetem ao povo, e não o
contrário. Quem manda no Brasil é o seu povo. Por isso o nome democracia.
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