No último dia 07, o Senado Brasileiro aprovou a volta da exigência do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão no país. Para nós jornalistas, é uma conquista, que nos custou 3 anos de muita luta. Mas, lendo reportagens e artigos recentes sobre o assunto, eis que me deparo com a matéria da revista Veja da última semana, titulada "Diploma de Insensatez" (página 75). Lendo a matéria, me lembrei do filme Ratatouille, onde o cozinheiro Gusteau escreveu um livro contendo a sua tese de que "qualquer um pode cozinhar". O artigo chega a ser subversivo, pois se prega totalmente contrário a volta do diploma. Se bem que, jornalisticamente falando, a Veja não é confiável há muito tempo. Analisando um dos trechos da matéria, podemos perceber claramente que a Veja tenta agir como Gusteau agiria nessa questão. "O jornalismo existe para relatar à sociedade fatos de interesse público ligados a todos os campos de conhecimento. Nada mais lógico, portanto, que profissionais das mais diversas áreas tenham espaço para tratar deses acontecimentos. Um jornalista deve conhecer técnicas de apuração saber selecionar informações, organizá-las e relatá-las com clareza e precisão. Cursos que ofereçam essas ferramentas podem auxiliar na formação de profissionais, mas não devem servir de barreira para impedir que aqueles que investiram em outras formações usem seu conhecimento para atuar no jornalismo." Cabe uma análise mais profunda, mas em resumo, o que a autora quis dizer é que qualquer um pode ser jornalista. O que não é bem verdade. O jornalismo pode até ser aprendido de forma empírica, mas seria como dirigir um carro: sem ninguém pra lhe ensinar como fazer da maneira correta, você pega vícios, que podem muitas vezes atrapalhar. Além disso, você não aprende técnicas que só aprenderia passando 4 anos de sua vida sentado na cadeira de uma sala de aula. É uma conditio sine equae non na minha opinião, até porquê, se qualquer um pudesse ser jornalista, as informações seriam deturpadas com muito mais facilidade do que são hoje. O jornalista deve saber um pouco de tudo, para poder ser compreendido na hora de passar a informação. E é justamente esse fato que torna essencial a sua imparcialidade e que derruba a tese pregada na matéria, pois com profissionais de áreas diferentes trabalhando na comunicação, a informação seria muito mais específica e crua. Tanto é verdade, que os cientistas e médicos não gostam muito de jornalistas porque preferem explicar as coisas utilizando linguagem técnica, como se todo mundo fosse entender. E cabe ao jornalista transformar essa linguagem para que o povo menos informado possa compreender.
A grande verdade é que, sem o jornalismo, não pode existir democracia, pois, se os políticos, que deveriam representar o povo, fazem o que fazem conosco, nós jornalistas devemos fazer jus a esse dever.

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