quinta-feira, 10 de julho de 2014

Mineirazo!

Brasil 1 x 7 Alemanha. Jogadores ficam abatidos após derrota histórica. Fonte: copadomundo.com.br


08 de julho de 2014. Um dia histórico para o futebol mundial. O Brasil, país anfitrião da Copa do Mundo de Futebol, sucumbiu de forma inacreditável para a Alemanha. E se não bastasse o placar de 7 a 1 ter sido o maior vexame da história do futebol, ele ainda escancarou todos os graves problemas pelos quais o futebol do país passa. Foi o dia em que nosso futebol se tornou igual à nossa saúde, a nossa educação e ao nosso sistema de transporte público. Primeiro, por causa de uma federação corrupta, negligente e incompetente. Segundo, por causa da estrutura defasada. Nossas categorias de base não conseguem revelar mais tantos bons jogadores como antes, e o grande êxodo de jogadores para a Europa só torna a situação mais difícil. Temos revelado mais Freds e menos Ronaldos. Nosso campeonato nacional é medíocre, a ponto de passarmos por uma crise de público, mesmo em jogos "grandes". A coisa tá tão feia que a seleção nacional não possui nenhum jogador dos atuais times campeões nacionais (Cruzeiro e Flamengo). Deve haver uma grande reformulação, para que o futebol brasileiro volte a ser o que era até 2002. A geração Neymar conta com bons nomes, mas não foi capaz de conquistar os principais títulos que disputou (Olimpíadas e Mundial). E o erro de todo mundo foi achar que a Copa das Confederações é parâmetro para alguma coisa. Que o digam as seleções de Parreira (2006) e Dunga (2010). Do time atual, pouquíssimos estarão em 2018. Na defesa titular, Thiago Silva e David Luiz ainda podem ser aproveitados, mas nenhum com a faixa de capitão. Nas laterais, apenas Marcelo. No meio, Luiz Gustavo, Fernandinho, Oscar, talvez Paulinho. No ataque, apenas Neymar. A garimpagem de nomes deve ser feita de forma geral. E já existem boas opções jovens, como os meias-atacantes Phillipe Coutinho, do Liverpool e Roberto Firmino, do Hoffenheim e o zagueiro Marquinhos, do PSG, sem nos esquecermos de outros nomes que já apareceram bem antes, como Lucas Leiva, Rômulo e Rafinha Alcântara. Alguns nomes que foram especulados para este mundial e ficaram de fora também podem aparecer. Casos do goleiro Diego Alves, do Valência, dos laterais Rafinha, do Bayern de Munique e Filipe Luis, do Atlético de Madri, junto com seu companheiro Miranda, zagueiro, além do meia-atacente Lucas Moura, do PSG. O problema é que não há outros grandes nomes para as laterais ou para o gol, por exemplo. No ataque, a escassez nunca foi tão grande. Não temos mais nenhum nome no nível de Adriano Imperador, Romário ou Ronaldo Fenômeno. A última esperança, Diego Costa, preferiu a seleção espanhola. Por isso, a conclusão é a de que, no fim das contas, Mano Menezes estava certo: a Seleção Brasileira deve jogar sem um atacante fixo na área. Assim, esqueçam os selecionáveis Fred, Jô, Leandro Damião e Luiz Fabiano. O único que ainda pode voltar a vestir a amarelinha é Alexandre Pato, se voltar a mostrar o futebol do começo da carreira. Sem opções na Europa, o mercado nacional deve ser olhado com mais carinho. Jogadores como Hernane Brocador, do Flamengo e Marcelo Cirino, do Atlético Paranaense podem ganhar uma chance se voltarem a apresentar o futebol que jogaram em 2013. Mas o titular deve ser Alan Kardec, do São Paulo, que esteve na lista de suplentes para este mundial. Mas a questão chave é a do novo treinador. Dos nomes em questão, o mais especulado é o de Tite, que ganhou títulos importantes por Internacional e Corinthians, mas que mostrou dificuldades para armar times ofensivos. Muricy Ramalho é outro nome que corre à boca pequena, mas também tem seus defeitos. Talvez seja hora de um treinador estrangeiro, alguém que seja louco e corajoso o suficiente para impor novas ideias. Nomes como Marcelo “El Loco” Bielsa ou Pepe Guardiola, apesar de eu achar este último um pouco radical, às vezes. Nas circunstâncias atuais, até mesmo José Mourinho seria um bom nome. Mas nada disso vai adiantar se não houver uma reestruturação completa desde a Confederação. Torçamos para que o movimento Bom Senso F. C. consiga impor suas ideias, boas em sua maioria, e que o governo ajude. Em 2002, a derrota para o Brasil na final fez com que a Alemanha fizesse uma reformulação total do seu futebol, desde a formação de jogadores, até a forma de se jogar. E o trabalho vem dando resultados. Mas o Brasil praticamente parou desde o pentacampeonato. Nossa seleção de 2006 foi um amontoado de craques que não conseguiu formar um time. A de 2010 era até boa, mas sucumbiu pelo mesmo problema do time atual: a falta de estrutura emocional. Que a tragédia ocorrida no estádio Mineirão tenha servido para retribuir o favor. Ano que vem, tem a Copa América.

Sugestão para time titular: Diego Alves; Rafinha, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Luiz Gustavo, Rômulo, Philippe Coutinho e Roberto Firmino; Neymar e Alan Kardec.

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