Vou tratar hoje de um assunto que me deixou meio indignado. Assim como eu, quem assistiu ontem ao concurso de Miss Universo, deve estar se sentindo da mesma maneira. O resultado me fez refletir sobre meu conceito de beleza. Chegaram à final: Estados Unidos, Austrália, Filipinas, Venezuela e Brasil. Vendo as candidatas, como elas foram durante todo o concurso e as respostas que elas deram às perguntas que lhes foram feitas, achei que Estados Unidos e Filipinas cairiam logo de cara, deixando a decisão entre Venezuela, Austrália e Brasil, que, em questão de beleza, eram as melhores. Eis que, para surpresa geral, estas é que caem, deixando a final entre as duas primeiras. Como se a decisão já não fosse "caseira" o suficiente, logo depois, Olívia Culpo, dos Estados Unidos, é eleita a mulher mais bonita do universo.
Depois de desligar a televisão e me dirigir ao Twitter para fazer minhas críticas, cheguei à seguinte conclusão:
Primeiro: acho que o concurso deveria se chamar "Miss Planeta Terra", "Miss Mundo", ou algo do tipo, já que não há como saber se só existem mulheres na Terra. Ou aquela história de que as mulheres são de Vênus surgiu do nada?
Segundo: os Americanos estão ficando mais patriotas do que os Argentinos. Não que a Americana não fosse bonita, mas ela não era tão bonita quanto as três primeiras que caíram. Só ganhava da Miss Filipinas. Por isso ela foi eleita? Não sei, mas acho que nunca vou conseguir entender esse novo conceito de beleza. Naquele juri, ou ninguém entende nada, ou ninguém é isento o bastante pra tomar esse tipo de decisão. Ou é coincidência uma americana ser eleita a mulher mais bonita do mundo em seu país?
Terceiro: não é a primeira vez que isso acontece nesse concurso, que tem sua credibilidade cada vez mais abalada. Acho que as pessoas que avaliam as candidatas não levam em conta apenas a questão da beleza, da simpatia, do caráter e da inteligência. Eles se deixam levar por questões políticas, econômicas e sociais. Por isso a Miss Venezuela não venceu, já que o ditador Hugo Chávez, presidente do país, é inimigo político do governo americano, desde os fatídicos tempos de George Bush. A marmelada se torna ainda pior quando lembramos da tragédia em Newtown, onde um maluco matou 20 crianças em uma escola. Só o fato em si já choca e sensibiliza o suficiente para que pensemos que a Americana foi coroada por pena.
Filipinas ter ficado em segundo lugar também me cheira a jogada de marketing, já que fez com que um país pequeno da Ásia aparecesse para o mundo inteiro.
Depois dessa, vi que os americanos são capazes de tudo por seu país. Capazes até de coisas que nós Brasileiros não faríamos pelo Brasil, até porque, convenhamos, com a situação do país hoje, não vale a pena. Tanto é verdade, que mesmo com a onda de protestos contra o resultado, vi poucas pessoas dizerem que a Brasileira Natália Markus deveria ter sido a vencedora. E se ela fosse, teria sido com mais merecimento, na minha opinião.
Acho que deveríamos aprender com os americanos. Devemos deixar de sermos passivos e de apoiar nosso país somente em época de Copa do Mundo. Muita coisa está errada no Brasil, e não podemos ficar quietos diante disso. Temos que voltar aos tempos das revoltas populares, que comprovadamente funcionam quando buscam questionar o poder. Os jornais nos mostram isso todos os dias. As redes sociais estão aí pra isso. Basta querer.
Com perdão do trocadilho, Olívia, eu não te culpo, mas você não mereceu. Desculpe.
Com perdão do trocadilho, Olívia, eu não te culpo, mas você não mereceu. Desculpe.

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